Não há cidadão brasileiro que não deseje um avanço no desenvolvimento do País, e não se põe dúvida de que o governo também o queira, mas é preciso partir da vontade para a ação. Agora, mais uma vez, o ministro José Dirceu declara perante empresários na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro que a grande necessidade hoje é criar empregos. Ele proferiu essa frase três vezes, enfaticamente, mas se destacou tal premência não apresentou a receita. Discursos manifestando anseios não têm faltado na esfera governamental, mas escasseiam as idéias de como croncretizá-los, e assim a cadeia produtiva nacional e os cidadãos vão pensando em como, eles próprios, irem elaborando seus próprios projetos, com ou sem as esperadas facilitações oficiais. José Dirceu, que fala pelo governo, proclama a necessidade de partir para uma ''obsessão na rota do desenvolvimento'', mas para isso será preciso, primeiro, implantar reformas que resultem em menos centralização de renda, que é retentora da circulação da moeda, em baixa da carga tributária sobre os segmentos produtivos e esta já seria uma fórmula de boa parte do dinheiro permanecer nas bases eliminar burocracias, diminuir o volume dos encargos sociais, como meio de abrir mais vagas de trabalho, modificar substancialmente a legislação trabalhista, que é inibidora do emprego pelo temor que infunde em quem pense em contratar, baixar o custo do dinheiro para o giro dos negócios, e por aí em diante. Na realidade, até agora o Governo Lula promoveu uma maior concentração de renda ao aumentar o peso tributário e disponibilizar recursos via fundos e BNDEs para os grandes grupos nacionais. O porta-voz do governo, um dos históricos propagandistas do ideário salvacionista do PT, não mencionou, em seu discurso aos empresários cariocas, nenhuma das providências acima mencionadas naturalmente que algumas delas na dependência de aprovação do Congresso, mas o governo não faz proposições nesse sentido significando que a administração petista espera a ocorrência das coisas por passe de mágica. Esta é a razão por que nada de revolucionário até agora aconteceu, decorrido meio mandato do Governo Lula, que chegou ao poder guindado pelo voto e pelo entusiasmo da maioria dos brasileiros. Sobram as palavras e escasseiam os projetos de execução, na verdade um velho discurso e uma velha prática, que marcaram quase todos os governos. Mas deste esperava-se mais, porque as idéias de campanha eram brilhantes e acreditava-se que, se postas em prática, produziriam resultados em curto prazo e uma grande motivação nacional. Ocorre que boas idéias, sem os correspondentes programas de realização, não vingam. O atual governo ainda não mostrou serviço. Mais um discurso, porém nenhum sinal palpável de execução de alguma coisa, porque faltam propostas nas mãos para mostrar e submeter à apreciação dos congressistas, das classes produtoras, dos cidadãos.

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