Faltam médicos, faltam hospitais
Cento e vinte e cinco municípios (31% das cidades do Paraná) não têm hospital geral. O levantamento foi feito pela Folha de Londrina, em reportagem que está sendo publicada na edição de hoje, com base no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), órgão ligado ao Ministério da Saúde (MS). Quando precisam de um atendimento hospitalar, as 902 mil pessoas que moram nessas localidades têm que pegar a estrada.
O tema vem complementar a discussão sobre a contratação, por parte do governo federal, de médicos estrangeiros para atuarem nas periferias das grandes cidades e em regiões do interior onde faltam esses profissionais. A intenção do Ministério da Saúde é flexibilizar as exigências legais para a "importação". Na semana passada, aconteceram várias manifestações contrárias à proposta da presidente Dilma Rousseff, organizadas principalmente por associações médicas e estudantes de Medicina. Eles alegam que não adianta contratar profissionais de fora se não existe infraestrutura para atendimento da população nas localidades "mais esquecidas".
Entre os municípios paranaenses sem hospitais, a grande maioria deles tem menos de 10 mil habitantes. Mas há exceções, como Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, com 100 mil moradores. Estudos comprovam a viabilidade de um serviço de média complexidade em cidades com mais de 30 mil habitantes.
Há municípios sem hospitais em várias partes do Estado, que apresenta grande concentração de leitos em algumas regiões e deficit de vagas em outras. O Ministério da Saúde recomenda que o ideal é entre dois e três leitos para cada mil habitantes. A média brasileira é de 1,8. A paranaense alcança 2,08.
Se é inviável a construção de um hospital geral em pequenas localidades, é preciso garantir que a população desses municípios conte com eficientes unidades de atendimento básico 24 horas. Cabe aos governos federal e estadual pensar também na distribuição de bons hospitais regionais, que recebam a população vizinha com rapidez e eficiência. Oferecer um bom plano de carreira aos profissionais de saúde que atuam nessas localidades mais afastadas do grande centro também ajudará a atrair funcionários qualificados.
É importante ainda que as autoridades estudem formas de viabilizar o funcionamento dos hospitais nas cidades menores, que acabam fechando suas portas por conta de dificuldades financeiras, muitas vezes agravadas pela baixa remuneração que o Sistema Único de Saúde (SUS) paga pelos serviços prestados.





