A administração da água, em Londrina, já pertenceu ao município, e à época o serviço funcionava bem, embora a cidade fosse pequena. Mais tarde (na gestão do prefeito José Richa), ante a dificuldade de obter recursos federais para o setor o sistema mudou de mãos e ainda hoje é administrado pela Sanepar. Não há uma opinião de consenso na discussão que ora se trava, para definir se água volta a ser municipal ou continua como está. A Câmara de Vereadores acaba de aprovar o retorno do serviço ao município, mas o prefeito Nedson Micheleti declara que vetará o projeto. A companhia telefônica, por exemplo, é municipal (com a participação minoritária da Copel), e funciona bem. É a única empresa do gênero, no Brasil, administrada pelo poder público municipal. Não há, portanto, um vírus com origem em gestão municipal que possa contaminar um serviço público. O que preocupa é a entrega da execução do sistema a uma concessionária, a ser definida em processo licitatório, mesmo que sob a fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Concessões de longo prazo são sempre preocupantes. Mesmo com a aprovação pelos vereadores e o anunciado veto do prefeito – duas decisões antagônicas – será necessário, antes de um desfecho definitivo, repensar a questão. É um assunto para exame minucioso, com a participação de especialistas e com base em experiências no setor. Uma decisão como esta não pode se dar em clima de litigância – um puxando a torneira para cá e outro para lá. O tom do discurso do governador Roberto Requião sobre o assunto, sexta-feira, em Londrina, foi desrespeitoso, e posturas assim deixam margem a muitas dúvidas. Por que tanta sede pela água de Londrina? Naturalmente o chefe do Governo não deseja o enfraquecimento da empresa estatal, o que virá a ocorrer com a perda da segunda maior cidade do Estado. Falta a comunidade londrinense saber, por informações técnicas e logísticas – que os poderes estadual e municipal ainda não forneceram – das vantagens e desvantagens, facilidades e dificuldades, que o serviço terá continuando nas mãos da Sanepar ou voltando para o município (e com a execução entregue a uma empresa privada). Quando o pedágio foi implantado no Paraná, há oito anos, e presenteado às concessionárias, a questão não foi discutida públicamente, e vê-se hoje que foi um grande erro adotar o modelo que aí está. O delicado problema da água deveria ter sido discutido a partir do momento em que o prazo contratual com a Sanepar se venceu, e agora, de afogadilho, ninguém em sã consciência pode afirmar qual a melhor fórmula. Por ora a questão está sendo discutida em clima emocional, pela impulsão de interesses estratégicos da companhia estatal. Interessa saber o que é melhor para os consumidores, que são os que pagam a conta. O prefeito Micheleti precisa relatar à comunidade as razões que o colocam contra a administração do serviço pelo município. Devem fazer o mesmo os vereadores.

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