Faltam empregos e sobram queixas dos empregadores no BR
Se a economia de um país cresce de forma vigorosa, os negócios se expandem, gerando a necessidade de todo tipo de mão-de-obra, da mais simples à mais sofisticada. Esse seria o cenário ideal para um país como o Brasil, com cerca de 170 milhões de pessoas, das quais, de acordo com o último Censo, 64 milhões e 700 mil estariam efetivamente trabalhando em 2000.
Contudo, no país do real, embora tenha havia proteção contra os efeitos corrosivos da hiperinflação, com a estabilização da moeda, o crescimento econômico tem se mostrado modesto desde 1994: 2,4% do PIB (Produto Interno Bruto), em média. Uma taxa que parece ainda menor, quando comparada a de outros períodos, como os 11,2% de 1968 a 1973, ou os 8,6% que insuflaram, nos anos 70, o ''milagre econômico brasileiro''.
Essa falta de espaço para crescer afeta todos indistintamente, mas os empregadores, em particular um contingente de 1 milhão e 800 mil pessoas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) queixam-se também de outros tipos de cerceamento à expansão de seus negócios.
Entre eles, merece especial destaque a pesada carga representada pelos encargos sociais, que praticamente dobram os custos das folhas de pagamento e ''empurram'' todos os anos milhões de trabalhadores para o mercado informal, além de estimular a prática da terceirização, o que deixa muita gente com trabalho garantido, mas também com a obrigação de arcar com o ônus da manutenção de uma empresa própria.
E dessa sobrecarga empresarial faz parte uma agressiva tributação, que repercute tanto na vida dos empregadores, quanto dos empregados, igualados na categoria comum de consumidores. Hoje, o Brasil arrecada, em tributos, o equivalente a 34,5% do PIB. Nos países conhecidos como ''Tigres Asiáticos'' por conta de sua notável capacidade competitiva num mundo globalizado , a carga tributária gira em torno de 20%.
Se há muitos nós amarrando o crescimento da indústria, do comércio, dos serviços, no aspecto mais urbano da questão, o campo sofre intensamente um reiterado abandono. Ao longo dos últimos anos, os governos têm se mostrado reticentes em definir uma política agrícola efetiva, que ofereça maior segurança e alternativas aos micros e pequenos produtores, estancando, assim, pela base, o movimento contínuo e crescente do êxodo rural.
De acordo com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), entre os menos representativos setores da economia, em 2000, sob o ponto de vista da geração de empregos e pagamento de salários, estava o da agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal, com 1,37% do total de assalariados do país e 0,75% do total de salários e remunerações pagas.





