Faltam dados, reclama estudioso
Muitos estudiosos da questão do desenvolvimento urbano discordam das garantias da prefeitura e têm ressalvas sobre a forma como Londrina vem crescendo. O arquiteto Paulo Bombassaro, atual presidente do Clube de Engenharia, explica que a diminuição do Ippul, órgão do qual foi presidente em 2000 e que quase foi extinto no ano passado, é preocupante. ''O Instituto está relegado a um canto, minúsculo, com pouca estrutura e poucos funcionários. No início de 2001, realizamos várias reuniões no Clube, onde 20 entidades públicas manifestaram sua preocupação sobre o crescimento da cidade'', diz o arquiteto.
''A verdade é que não é possível dizer se o crescimento de Londrina está sendo desordenado ou não. A prefeitura não apresenta dados ou uma proposta de planejamento concreta à sociedade. Se tem algo em mente, por que não mostram?'', continua Bombassaro. ''A verdade é que, para esta administração, planejamento não parece prioritário''.
A professora Yoshiya Nakagawara Ferreira, do departamento de geografia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que a prefeitura perdeu parte dos freios do crescimento na cidade.
''Parece que o poder público perdeu o fôlego e não consegue mais acompanhar o medo e os dramas urbanos de toda ordem, que precisam de soluções firmes e participação da sociedade civil'', afirma Yoshiya. A professora aponta como indícios deste desregulamento os danos ambientais, a violência no trânsito, o aumento da criminalidade e o caos no sistema de habitação.
Bombassaro, por sua vez, acrescenta que a cidade nunca teve tantos carros e novas ruas estão sendo abertas constantemente, aparentemente sem critério. ''Quando você vê no jornal o aumento do número de acidentes de trânsito, não dá pra não deixar de pensar que está faltando algum planejamento'', afirma o arquiteto. Na questão de anomalias de planejamento, Bombassaro cita um caso de uma rua de um quilômetro na Zona Norte que tem até seis nomes diferentes. ''Em certos trechos, o nome da rua muda conforme você vai passando por loteamentos diferentes'', explica.
Na questão ambiental, a professora Yoshiya salienta que as ocupações irregulares ''têm tido apoio institucional para a sua efetivação''. ''A prefeitura legaliza ocupações e oferece rapidamente a infra-estrutura necessária e mínima para estas invasões precárias. Se, por um lado, vejo com bons olhos o apoio público, quase imediato, na colocação de torneiras coletivas e instalação de rede elétrica neste locais, questiono porque não há uma política pública que antecipe necessidades coletivas de toda a sociedade, especialmente no âmbito da política habitacional'', afirma a professora.
Em fundos de vale, estas ocupações proporcionam impactos ambientais consideráveis. ''Muitas delas ficam próximas a nascentes, numa demonstração de inabilidade e ignorância a respeito da preservação de alguns recursos naturais, o que causa danos irreversíveis a curto e médio prazos. Como, por exemplo, nas áreas próximas ao tratamento de esgoto da Sanepar, perto do conjunto Jatobá (Zona Sul), nas nascentes do córrego Cristal'', explica Yoshiya.
Para o futuro, Paulo Bombassaro sugere a aplicação de itens do Plano Diretor que não saem do papel. ''O Plano contém sub-áreas para planejamento ambiental, habitacional, viário, entre outras instâncias, que são ignoradas. Os investimentos precisam ser direcionados para a chamada indução de desenvolvimento, que guie o crescimento da cidade'', afirma o arquiteto. Bombassaro cita como exemplo de indutor a Avenida Dez de Dezembro. ''Quando fizeram a Via Expressa, questionaram que ela ia até lugares pouco habitados. Mas quando a cidade cresceu naquela direção, já havia energia elétrica, rede de esgoto, tudo, oferecido a partir da avenida. É preciso pensar a longo prazo'', explica.





