Recentemente o gerente de tráfego da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) declarou a este Jornal que não havia dinheiro para implantar melhorias no sistema viário, em Londrina, mas agora o órgão está investindo R$ 12 milhões na instalação de 46 novos radares. Pode estar aí oculta uma meta de arrecadação de multas. Como exemplo a criação da guarda municipal, pois constatou-se que os agentes não orientam o tráfego, mas as multas vão sendo aplicadas e muitos motoristas falam de equívocos e arbitrariedades. A seção de cartas deste Jornal o demonstra com frequência. Em notícia publicada ontem sobre os radares, o gerente de tráfego menciona a arrecadação por via das multas, ao dizer que a CMTU pagará apenas 65% do valor previsto por máquina instalada, à empresa que implantará o sistema, ''se a arrecadação não atingir o preço fixo mensal''. Há, portanto, uma previsão de receita. Com R$ 12 milhões será possível solucionar muitos problemas do tráfego urbano, igualmente geradores de acidentes e de tantos transtornos. Começando pelos semáforos, que nunca contemplam o pedestre a não ser em um ou dois lugares, em toda a cidade, e esta é a maior das barbaridades. A maioria deles não tem sincronia contínua e alguns estão sincronizados ao inverso, ou seja, a sequência só vai encontrando o sinal vermelho se abrindo e não o verde, como exemplo o caso da rua Maringá. Não é de radares que Londrina precisa mas de um reordenamento de todo o sistema de tráfego, que abrange grande número de itens. Há necessidade de mais rotatórias, mas canaletas, criatividade no sistema de estacionamento, mais sinalização, regulagem dos semáforos para contemplar mais o verde em ruas de escoamento, alteração no sentido de algumas ruas, estabelecimento de mão dupla onde possível, encurtamento de distâncias, sinalização horizontal com setas indicativas nas conversões das avenidas duplas (porque muitos motoristas entram no lado errado, oferecendo risco de colisão), criação de estacionamento em diagonal onde possível ou estacionamento em ambos os lados de certas ruas, correção do abuso dos que reservam áreas próprias de estacionamento, na rua, defronte de seus estabelecimentos, estabelecer tempo de permanência das caçambas, sinalizar melhor as entradas da cidade para facilitar os motoristas de fora, e assim por diante. A CMTU não tem contratado gente especializada em engenharia de tráfego e há muitos anos não se faz um estudo sério sobre o sistema viário, numa cidade com 200 mil veículos automotores. Com semáforos sincronizados os veículos andariam num só passo, sem necessidade de radares, e muitos acidentes seriam evitados e haveria grande economia de combustível. E não é possível instalar radar onde o sinaleiro é de três tempos, pelo risco de brecadas bruscas ante o inesperado fechamento do sinal. Há muito por fazer no sistema viário de Londrina. Mas falta dinheiro, diz o gerente de tráfego. Que agora vai gastar uma soma fabulosa com o novo instrumental. Difícil entender essa linguagem fora de sincronia.

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