É evidente a sincronia entre certos eventos relacionados com o Governo e o calendário de invasões de terras, pelo MST e pelo Mast – este adotando um A para tentar demonstrar que seus líderes e participantes são agricultores. Porque justamente em outubro, mês da eleição, foi quando os invasores atuaram menos, para resguardar o presidente Lula na sua corrida para a reeleição. Conhecido o resultado das urnas, as ocupações tiveram nova investida, em vários Estados e inclusive no Paraná.
  São flagrantes a tolerância e a indiferença do Governo Federal ante as invasões, embora isso nem constitua novidade. Há uma identificação ideológica entre essa postura governamental e a política radical desses movimentos, porque o Governo não se pronuncia diante do que ocorre e nem se ocupa de pensar em projetos consistentes de reforma agrária. Isto nem sequer figura nos discursos do Presidente. No ano passado foram 259 as invasões, 17% mais que as do ano anterior. Curiosamente, a Ouvidoria Agrária Nacional não divulgou, nos últimos nove meses – e atente-se aí também para o ano eleitoral – a ocorrência das invasões, mas elas nunca cessaram.
  Em 2002, último ano do Governo FHC, houve 103 invasões. Nos quatro anos do Governo Lula os números vieram aumentando: 222 em 2003, subindo para 327 em 2004, caindo para 221 no ano seguinte e chegando às 259 em 2006. De parte do Governo não houve nenhuma medida para conter esses avanços, e a questão agrária não mereceu atenção, embora constitua um dos grave problemas brasileiros, por semear terrorismo, insegurança e intranqüilidade no meio rural.
  Se querem ser objetivos na sua pressão para a reforma agrária, os movimentos têm que usar outros métodos. Invasões só causam desgastes entre invasores e proprietários. O Incra mesmo não se sensibiliza com essas ações.
  A apropriação de propriedades alheias, incluindo as produtivas – e mesmo que não fossem – corre solta e não há medidas punidoras. Se a garantia de invadir sem sanções dá segurança aos líderes dessas ações criminosas – que arrastam os bem-intencionados e também os oportunistas – o Governo solapa a paz no campo ao adiar o processo do ordenamento agrário. Isto num país de tanta terra disponível, que pode ser adquirida pelo Governo e financiada aos verdadeiros interessados e vocacionados para o cultivo, sem necessidade de invadir a que tem dono e produz, muito especialmente a que está próxima dos centros urbanos e, portanto, atraente.

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