O Brasil está envelhecendo e se mostra despreparado para lidar com um grupo da população que demanda maior atenção e proteção por parte do Estado. Faltam vagas em instituições públicas de abrigo, atendimento de saúde deixa muito a desejar e sobra descaso dos governos.
Também é abundante o número de casos de famílias que descartam os membros mais velhos em locais muitas vezes sem a mínima condição de higiene, onde o principal objetivo não é promover bem-estar dos cidadãos, mas se apropriar da aposentadoria.
Na cultura brasileira os idosos são historicamente encarados como entrave - com raras e boas exceções. Para muita gente, o prazo de validade das pessoas está diretamente associado à idade física. Um erro que entrava o crescimento do País. Em nações desenvolvidas da Ásia, por exemplo, o bom desempenho tanto na área econômica quanto na social está associado ao respeito que se tem aos mais velhos.
A boa notícia é que empresas brasileiras de vanguarda encontram neste grupo populacional boas chances para renovação do quadro funcional. Nesses exemplos a experiência passou a ser valorizada.
No entanto, quando o peso da faixa etária causa impacto negativo na mobilidade, na independência, na saúde mental, etc., a situação muda drasticamente, como bem mostrou reportagem especial publicada ontem pela FOLHA.
Existem no País 218 asilos públicos, a maioria (65,2%) mantida por redes filantrópicas. Só 9% dos municípios possuem espaços destinados a idosos que não têm para onde ir. A rede pública ou mista é responsável por apenas 6,6%. Instituições privadas encontram nesse vácuo uma chance de crescer, o que demanda incremento na fiscalização que, falha, não consegue fechar asilos clandestinos.
Ainda dá tempo para reverter essa situação de descaso, mas, por se tratar de um típico projeto que não resulta em votos, fica sempre em segundo plano. Perde o País. Fechar os olhos para aqueles que ajudaram a construir a história é empobrecer o futuro.

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