Falta qualificação, alega diretor
A presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná (Sinspp), Sandra Márcia Duarte, sugere uma série de mudanças no sistema prisional paranaense para que mais presos do estado estudem. Ela afirma que grande parte dos internos não se interessa em procurar a escola das unidades porque muitos presídios ainda não adotaram a remição de pena para quem estuda. Na PEL, segundo a diretoria, 18 horas de estudo rendem um dia a menos na prisão.
''Devido a esse problema, os presos procuram mais o trabalho, que, além de proporcionar a remição, é pago e ajuda no sustento das famílias. Por exemplo, por que não pagar um pecúlio a quem estuda?'', defende Sandra.
O coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, Gélson Gil, questiona também a qualidade da educação que é oferecida nos presídios. ''Qual é a projeção desse ensino? Como ele é planejado para fazer com que o preso consiga um emprego quando sair? O mercado de trabalho está saturado'', diz.
O diretor do Patronato Penitenciário de Londrina, Tadeu José Migoto, comenta que os egressos (ex-condenados oriundos do regime fechado) em sua maioria não têm qualificação escolar e profissional condizente com o que é exigido pelo mercado de trabalho. Ele estima que 90% dos mais de 200 ex-presidiários do regime fechado atendidos pelo Patronato estão atuando no mercado informal porque não conseguem emprego.
E os cursos também estão rareando. A PEL iniciou o primeiro curso profissionalizante deste ano apenas no início de novembro, para ensinar aplicação de agrotóxicos com máquinas costais. Segundo o vice-diretor da unidade, Jorge Igarashi, faltaram verbas para mais iniciativas. A PCE não disponibiliza cursos desde as rebeliões. A PEM é uma das exceções, já que ofertou 44 cursos desde o início do ano, graças a parcerias. (F.G.)





