Falta-lhes, mesmo, a responsabilidade
Os vereadores de Londrina se vingaram da medida do Superior Tribunal Eleitoral que diminuiu de 21 para 18 o número de integrantes da Câmara Municipal, e no apagar das luzes da atual legislatura resolveram gastar na farra pública o dinheiro que seria economizado. Foi um golpe sobre a população, que aplaudiu aquela redução crente de que haveria uma diminuição de gastos. Puro engano, e quando se trata de políticos, infelizmente, o povo é muito enganado. Sexta-feira, em sessão extraordinária, os vereadores aumentaram em cerca de R$ 2,5 mil a verba mensal de gabinete de cada um deles, para que (a partir da nova legislatura) contratem mais assessores em outras palavras o empreguismo, que no mais dos casos privilegia apaniguados e não necessáriamente técnicos que realmente assessorem. Como a resolução do Tribunal não estabelece a paralela redução de despesas o que é uma incongruência, porque pressupõe-se que diminuir o número de vereadores é medida de economia em benefício do erário os 'nobres pares' não pensaram duas vezes. Dos 11 vereadores que assinaram o projeto, 6 integrarão a nova legislatura, e aqueles que não foram reeleitos mas votaram a favor o fizeram, primeiro, por ausência de responsabilidade (junto aos demais) e segundo para beneficiar os colegas e até porque estão indo embora. Não tem muita consistência a afirmação de que o aumento de assessores será para melhorar o atendimento à população, porque se esses funcionários prestam alguma ajuda, não é deles que se espera atuação e sim dos vereadores eleitos. Esses auxiliares, na verdade, servem mais à causa do assistencialismo mantenedor de sustentação político-eleitoreira. Função de vereador não é assistência social de varejo e sim a elaboração de bons projetos que se convertam em leis de benefício geral, e assim sejam eliminados não os efeitos temporários, mas as causas. Não foi desta vez que a Câmara de Vereadores de Londrina depois de gloriosos tempos do passado dá bom exemplo aos municípios vizinhos em questão de decoro palavra que quer dizer brio, dignidade, nobreza, respeito a si mesmo e aos outros, acatamento, decência. Os vereadores poderiam ter aproveitado a oportunidade e proclamar, solenemente, que iriam salvaguardar o montante da economia correspondente à redução do quadro, e assim ganhariam o respeito do povo. Mas talvez fosse esperar demais que isso ocorresse de parte deles. São quase R$ 600 mil ao ano (incluindo-se 13º salário), ou R$ 2,4 milhões no mandato inteiro, dinheiro do povo que poderia ser destinado a obras de alcance social num município tão cheio de carências nesse setor. Corrupção não é apenas a forma clássica de embolsar indevidamente dinheiro público, mas também o desvirtuamento de conceitos e do espírito público, que, mesmo que havendo amparo em lei, robustecem o desmazelo para com a economia pública. Se a diminuição do número de vereadores não veio acompanhada de uma mudança da lei, de forma a também diminuir gastos, então a redução do corpo legislativo é uma resolução sem serventia, que nem deveria ter sido adotada. Sem uma lei acasalada, é como colocar cabras para cuidar da horta.





