Falta estrutura para atender denúncias de animais soltos
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de outubro de 2002
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Três homens e um caminhão em condições precárias são responsáveis por atender a todas as denúncias de animais soltos em Londrina. Apenas com os laços nas mãos, os homens precisam pegar os animais a pé. Algumas vezes dá certo, outras não. Além disso, com R$ 10,00 o proprietário pode ir até lá e retirar o animal colocando-o na rua novamente.
''Está difícil trabalhar, são 15 a 20 reclamações por dia de cavalos e bois soltos. A gente precisa se desdobrar para atender a todas. Os bois, por exemplo, a gente precisa tocar porque se colocar no caminhão ele destrói tudo'', contou Paulo Gomes dos Reis, responsável pela apreensão de animais. Segundo Reis, quando o caminhão não está quebrado, é possível atender a quase todas as denúncias.
Todos os animais recolhidos pela prefeitura recebem uma marca fria. ''A marca serve para identificar os animais em outras apreensões porque a multa vai aumentando a cada vez, podendo chegar a R$ 300,00'', explicou Reis. De acordo com ele, depois da terceira apreensão, o animal pode ser doado para fins científicos. Reis acredita que existam hoje mais de mil animais soltos na cidade.
Para Reis, é preciso que haja uma estrutura melhor para trabalhar e que as punições sejam mais severas para os proprietários. ''A gente recolhe, eles vão até lá, pagam uma quantia mínima e, no outro dia, se você passar no local, os animais estão soltos novamente.''
O secretário do Meio Ambiente, João Mendonça, disse que já está sendo providenciada a compra de uma nova grade para ser colocada no caminhão. ''Vamos melhorar um pouco as condições com a nova grade, mas acredito que, com a instalação do Centro de Zoonoses, a situação vai melhorar bastante.''
Marcelo Viana, chefe da Vigilância Sanitária, disse que a expectativa é que a verba, cerca de R$ 3 milhões, para a construção do Centro de Controle de Zoonoses, seja liberada após o segundo turno da eleições. Segundo Viana, esse centro concentrará ações de controle de doenças transmitidas por animais, como raiva, leptospirose, toxoplasmose e outras, além de combate a roedores e dengue. ''Esses trabalhos já são feitos pelo município, mas com o centro eles serão concentrados e mais eficientes'', acredita.
O projeto de construção de 1.300 m2 já foi enviado para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O terreno ainda não foi definido, mas no local haverá espaço para o alojamento de cães, gatos e animais de grande porte. A verba é suficiente para a construção e compra de equipamento para o funcionamento do centro.
De acordo com Viana, já está sendo discutida com as secretarias a questão de pessoal, pois o que existe hoje é insuficiente. Ele pretende também estabelecer parcerias com universidades e organizações não-governamentais (ONGs) que trabalhem com animais. ''É preciso envolver todos porque esse é um problema da sociedade em geral. Será feito um trabalho de conscientização e orientação da população. Quem quer ter um animal tem que ser responsável por ele.''


