Falta de representatividade
A falta de representatividade de deputados paranaenses em comissões na Câmara Federal reflete diretamente a ausência de lideranças no Estado. Levantamento desta FOLHA aponta que apenas o deputado Edmar Arruda (PSC) preside uma comissão, a de Fiscalização Finaceira e Controle. O Estado ainda tem representantes em outras 12 comissões e, em apenas uma - na de Desenvolvimento Urbano - tem o primeiro vice-presidente, Leopoldo Meyer (PSB). Em outras sete não há nenhum representante.
A distribuição das presidências das comissões é baseada na regra da proporcionalidade partidária e o critério para escolha dos nomes é definido por cada bloco ou partido. Nos últimos anos, os paranaenses têm ficado carentes de novas lideranças. É difícil encontrar algum candidato que empolgue o eleitorado. Situação que acaba sendo levada também para a esfera federal. Análise do cientista político Emerson Cervi aponta que a ''baixa representatividade dos paranaenses na presidência das comissões reflete a atuação individualizada dos parlamentares, atrelada ao caciquismo partidário nacional''.
De fato, representantes da Região Nordeste do País, onde a população é bem menor do que a paranaense ganham muito mais projeção. O Paraná é tido como um Estado desenvolvido, com uma das maiores economias do país e, ao longo dos anos, teve a sua representatividade reduzida, embora tenha representantes em todos os escalões da administração federal. Levantamento do Portal da Transparência apontou que o Estado está entre as três unidades que proporcionalmente menos receberam transferências de recursos do governo federal no ano passado.
De acordo com os números, as gestões estadual e municipal receberam quase R$ 10,3 bilhões (R$ 3,7 bilhões para o governo do Estado e pouco menos de R$ 6,6 bilhões para os 399 municípios paranaenses) do total de R$ 237,2 bilhões destinados aos Estados, Distrito Federal e municípios. O valor representa que foram repassados R$ 985,39 por habitante do Paraná, levando em conta a população aferida pelo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Se o Paraná tem perdido espaço na cena nacional a responsabilidade é da própria população, que deixou de cobrar os seus representantes. É necessária uma reflexão a respeito da importância do voto e da necessidade de eleger candidatos comprometidos com o Estado.





