Falta de qualificação - e de educação
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta semana ressaltou o óbvio. Existe mão de obra disponível no mercado, porém sem qualificação profissional. E é justamente nesse ponto que os empresários batem: falta capacitação e educação formal aos trabalhadores. O boletim ''Radar: tecnologia, produção e comércio exterior'', do Ipea, analisa as capacidades e particularidades dos diversos campos de trabalho e as respectivas competências exigidas.
A conclusão é que é preciso identificar áreas que mais precisam de força de trabalho especializada e oferecer uma educação de qualidade, inclusive com a ampliação do contingente de pessoas frequentando cursos médios, técnicos e superiores, principalmente em setores como Engenharia, Design e Tecnologia. Estes três segmentos são apontados como promissores na economia, principalmente puxados pelas obras de infraestrutura e pela exploração de petróleo no pré-sal. No entanto, é preciso melhorar também a educação básica. Se a criança não tiver um bom ensino de base, depois de adulto não conseguirá acompanhar e aprender conteúdos mais complexos.
E essa falta de escolaridade - ou de aprendizagem - acaba por refletir diretamente na produtividade dos trabalhadores. Estimativa do Ipea, medida conforme o Produto Interno Bruto (PIB) por pessoal ocupado, mostra que os profissionais brasileiros produzem três vezes menos do que os da Coreia do Sul, quatro vezes menos do que os alemães e cinco vezes menos do que os norte-americanos. São índices significativos, ainda mais se for considerado que o Brasil ainda é um país em crescimento. Além disso, há outros fatores envolvidos, como a falta de inovação e desenvolvimento de novas tecnologias. Isso indica que alguns setores podem ficar estagnados, perdendo a competitividade.
Embora seja óbvio, é importante que esse boletim seja considerado para a formulação de novas políticas educacionais. É necessária uma reformulação no sistema de ensino, que valorize a importância da educação, que desperte na criança a vontade de aprender e que desenvolva o raciocínio. São habilidades que as pessoas levarão por toda a vida e fundamentais para que seja modificado esse atual cenário.





