Item essencial na alimentação, o trigo diariamente está na mesa da maioria da população, seja na forma do tradicional pãozinho, de massas ou de bolos. No entanto, se o cereal é popular entre os brasileiros, o mesmo não ocorre no campo. Redução do plantio verificada nesse ciclo aponta que o Paraná - o principal Estado produtor - deixou de ser autossuficiente na produção convencional pela primeira vez na história. A produção estadual será de 2,13 milhões de toneladas, cerca de 13% menor do que a safra anterior. O resultado será suprir a demanda com o grão importado.
Aliás, comércio que vem sendo repetido anualmente. De um lado, produtores reclamam da falta de apoio governamental, como ausência de políticas de incentivo e baixos preços pagos. De outro, a indústria alega qualidade insuficiente dos grãos para panificação. Além disso, os produtores nacionais concorrem diretamente com o cereal importado do Mercosul que, livre das tarifas de importação, entram com baixo preço no mercado interno. Outro fator é que nesta safra o trigo concorreu diretamente com o milho, que ganhou espaço por conta de preços mais altos no cenário internacional.
A conta chega agora. Devido à falta do grão no mercado, o consumidor já sente os resultados no bolso. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias, o preço do macarrão subiu 3% em três meses. A tendência é que o mesmo ocorra com outros produtos que utilizam a farinha em sua composição.
Essa situação, que pode ocorrer com qualquer outro produto agropecuário, reflete a falta de apoio à produção nacional. As commodities agrícolas têm importante relevância na balança comercial brasileira e a sua produção não recebe tantos incentivos governamentais como a produção industrial, por exemplo. Talvez, seja o momento de discutir políticas que apóiem a produção agropecuária, que é uma atividade de altíssimo risco. Além disso, qualquer variação nos custos, seja no momento da produção ou da comercialização, acaba por atingir diretamente os consumidores.

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