A educação sexual precisa, com urgência, ser debatida - e ensinada - nas escolas. Sem moralismos, o assunto deve ser abordado desde o Ensino Fundamental a fim de se prevenir a gravidez precoce. A exposição excessiva de crianças e adolescentes na mídia, aliada à falta de educação, tem levado à vulgarização do sexo, a um sentimento de que a vida sexual deve ser iniciada precocemente. Sem informações, sem maturidade, e muitas vezes inconsequentemente, meninas e adolescentes engravidam, obviamente também sem condições para cuidar do próprio filho.
E esse fator contribui sobremaneira para mortes de bebês com menos de um ano de idade, filhos de mães adolescentes. Dados do Ministério da Saúde confirmam a realidade. Em 2009, por exemplo, 20% do total de mortes de menores de um ano são de filhos de mães de até 19 anos. Além disso, enquanto o índice geral de mortalidade infantil caiu 58% entre 1990 e 2008, o percentual foi mantido entre mães adolescentes. Os levantamentos mostram que a realidade é pior entre a população de baixa renda.
Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feita no ano passado, mostra que 18% das meninas com renda per capta de até meio salário mínimo têm pelo menos um filho, enquanto apenas 1% das meninas com renda acima de cinco salários mínimos têm filhos. A evasão escolar entre adolescentes de 10 a 17 anos com pelo menos um filho chega a 75%. Esses números reforçam a necessidade de se investir em prevenção.
Além da educação sexual, ensinada nas escolas, deveriam ser desenvolvidas políticas públicas - coordenadas conjuntamente entre os ministérios da Saúde e da Educação - para profissionalização de jovens. Somente com perspectivas de melhoria de vida é que a realidade pode ser modificada. Essas meninas não podem continuar a ter como única chance de vida a maternidade, que pode ser muito boa se na hora certa. O mundo mudou, as mulheres ingressaram com força no mercado de trabalho e as oportunidades devem ser iguais para todos.

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