O aumento de vagas em creches é um tema comum a todo programa eleitoral de candidatos a prefeito. Os políticos sabem que o deficit é grande, exploram o assunto nos programas de TV e rádio, mas o problema não parece ter fim. Em reportagem do último domingo, a Folha de Londrina trouxe entrevista com a pesquisadora Maria Malta Campos, da organização governamental Ação Educativa, que lembrou a precariedade da Educação Infantil em muitos municípios brasileiros e a desvalorização dos professores que trabalham com crianças de zero a cinco anos.
Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha naquele ano 16,7 milhões de crianças com idade entre zero e cinco anos. Mas somente 6,7 milhões estavam matriculados em creches e pré-escolas. O Paraná não fugia muito da média nacional. A Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad), de 2009, mostra que 51,5% das crianças paranaenses frequentavam a pré-escola naquele ano.
A realidade difere entre os municípios, dependendo da percepção que os prefeitos têm em relação à importância da Educação Infantil. Há creches muito boas que seguem os padrões de qualidade estabelecidos pelo Conselho Nacional de Educação e há estabelecimentos que não seriam aprovados em uma fiscalização mais apurada.
Mais grave são as creches clandestinas, presentes em muitas cidades brasileiras. São donas de casa que, para aumentarem a renda familiar, cobram dos pais uma taxa para cuidar das crianças. É um atendimento sem garantia, com qualidade duvidosa, pois os locais funcionam sem o conhecimento e, consequentemente, sem acompanhamento do poder público.
A falta de um programa de ampliação de vagas em creches brasileiras é um desrespeito às famílias. Pesquisa realizada ano passado pelo Dieese mostrou que a presença da mulher no mercado de trabalho seria muito maior caso elas tivessem onde deixar os filhos. Ou seja, o aumento desse serviço não seria importante apenas para o desenvolvimento integral da criança, mas também uma importante ferramenta para ajudar a mulher a conquistar a sua independência econômica.

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