Falta de asfalto é um drama sob sol ou chuva
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domingo, 05 de janeiro de 2003
Betânia Rodrigues<BR>Reportagem Local 
Faça sol ou faça chuva, os moradores do Jardim dos Campos (zona norte), em Londrina, não conseguem esquecer do asfalto. Quando aumenta a temperatura, os insetos e o mau cheiro lembram que ele não existe. Quando chove não há tempo para pensar porque é preciso desviar a enxurrada que teima invadir as casas todos os anos. Infelizmente, esse 'quadro' não é exclusividade do Jardim dos Campos. Segundo o coordenador técnico da Secretaria de Obras, Joaquim Carlos Wargha, aproximadamente 30 bairros da cidade sofrem desse mal, incluindo a zona rural.
Cansado de arcar com os prejuízos, o auxiliar de serviços gerais Evonilton Aparecido Lima furou todos os cômodos da casa para escoar a água mais rápido. ''Não podemos deixar nem tapete no chão'', complementa a esposa de Evonilton, Maria Devani de Lima. De acordo com eles, as crianças são terminantemente proibidas de brincar na rua porque a terra está contaminada com o esgoto das casas. ''É comum elas aparecerem com vermes. Outro dia, soubemos de uma criança que pegou dengue por aqui'', disse a dona de casa. O Jardim dos Campos formou-se há cerca de seis anos numa área invadida, abriga cerca de 200 famílias e até hoje não tem rede de saneamento.
Situação parecida vivem os moradores da Rua Mangaba, na favela Santa Inez (zona leste). Lá, existe coleta de esgoto, mas asfalto é um sonho acalentado há mais de 20 anos. De acordo com o carregador, João Moraes Galvão, são 300 metros de terra vermelha entre os Jardins Ideal e Interlagos, o restante do bairro é asfaltado. ''São 60 famílias obrigadas a fazer diques de pedra e tijolos para barrar a água. Não queremos nada de graça. Podemos pagar a benfeitoria. Só queremos dignidade para viver melhor'', desabafou o morador.
A esperança para essa população é o Programa Paraná Urbano. Segundo Wargha, o governo estadual já liberou R$ 5 milhões para asfaltar os Jardins Porto Seguro I e II (norte), Jardim Catuaí (norte), Jardim São Jorge (norte), Jardim Florada (Patrimônio São Luiz) e parte do Jardim Maria do Carmo (norte). A expectativa é que a obra começe dentro dos próximos 20 dias e dure cerca de oito meses.
Essa remessa de dinheiro faz parte de uma verba de R$ 30 milhões requisitados pela prefeitura para asfaltar e recapear a cidade até o final da gestão de Nedson Micheleti (PT). Wargha não soube dizer quando serão depositadas as outras parcelas. Segundo ele, as datas dependem das negociações entre o governo do Estado e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que é o financiador da obra.
Enquanto esperam sua vez, os moradores do Jardim dos Campos pedem à prefeitura que envie uma máquina niveladora ao bairro e pedregulhos para cobrir as ruas. ''Aqui não entra nem sai carro. Para tomar o ônibus temos que cobrir os pés com sacolas de plástico'', reclama o pedreiro João Lopes. A justificativa do coordenador técnico da Secretaria de Obras é que há poucas máquinas e mesmo assim estão velhas. 'Nos dois primeiros anos pagamos contas e administramos o caos deixados pela gestão anterior. Só a partir de agora podemos fazer alguma coisa'', respondeu Wargha. Ele confirmou o asfaltamento de apenas 30 mil metros quadrados na primeira metade da gestão petista.


