Falta de água ronda o Paraná
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domingo, 09 de novembro de 2003
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
É bom o paranaense começar a se preocupar quando abrir a torneira de casa. Ainda não há o risco de uma ''pane seca'', como ocorre na cidade de São Paulo, mas a previsão alerta: a estiagem que perdura desde o início do inverno deve atravessar a primavera e chegar até o próximo verão. Sem a água que cai do céu, a vazão dos rios diminui e provoca a queda nos níveis dos reservatórios que abastecem as cidades e que impulsionam as hidrelétricas.
Se não chover nos próximos 45 dias, a área mais exposta aos riscos de desabastecimento de água é a região metropolitana de Curitiba (RMC). Os reservatórios de Iraí e de Piraquara 1 estão com apenas 50% da capacidade. O primeiro tem profundidade máxima de 4,5 metros mas estava com 2,5 metros na última quinta-feira. Em Piraquara 1, a barragem está a cerca de um metro abaixo do nível normal.
O diretor financeiro da Sanepar, Hudson Calefe, garantiu que ainda não há perspectiva de racionamento ou de medidas restritivas de consumo no curto prazo. Mas declarou que os planos poderão ser reavaliados num futuro próximo, caso as chuvas sejam insuficientes para elevar o nível dos reservatórios. Calefe afirmou que a Sanepar está interligando o seu sistema na RMC para promover compensações entre os reservatórios. Ele pediu à população que use a água de forma racional, evitando o desperdício. A empresa deverá lançar campanhas de conscientização da população neste verão.
Afora a RMC, a região que sempre mais sofre com a falta d'água no verão é o litoral. Até o dia 20 de dezembro, a Sanepar pretende colocar em funcionamento a estação de tratamento de água (ETA) de Guaratuba, que deverá amenizar o problema naquela parte do litoral paranaense.
O setor de geração de energia elétrica também trabalha com o sinal de alerta ligado por causa da estiagem. Desde julho, a quantidade de água que escoa para os reservatórios das hidrelétricas da região sul corresponde a cerca de 30% da média estatística histórica. Boa parte já opera com capacidade muito abaixo da considerada ideal. Ainda não há uma sinalização clara de racionamento a curto prazo, mas a medida poderá ser adotada se não ocorrerem chuvas abundantes até o final do ano, o que é pouco provável segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).
No sistema de responsabilidade da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que opera três das cinco grande usinas hidrelétricas no rio Iguaçu (Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias), a média de armazenamento está em cerca de 22%. Em Foz do Areia, a maior da Copel, o reservatório operava com apenas 15% de sua capacidade até a semana passada, situação jamais registrada em 23 anos de atividades.


