Se a epidemia de Aids está controlada no Brasil, conforme relatório divulgado ontem pelo Ministério da Saúde, os números mostram que ainda há muito o que avançar. A taxa de incidência caiu de 13,6% em 2010 para 11,7% neste ano e o número de casos também é menor. No entanto, matéria publicada ontem nesta FOLHA aponta uma preocupação dos agentes de saúde para o aumento do registro de casos entre adolescentes e gestantes. É neste grupo, sem dúvida, que o trabalho de prevenção deve ser focado.
A Aids é uma doença que não tem cura. Os avanços da medicina permitiram que os soropositivos ganhassem em qualidade de vida, mas há que se ressaltar que a dependência por medicamentos é contínua. Além disso, a enfermidade carrega uma enorme carga de preconceito, um estigma perante à sociedade. Os adultos de hoje acompanharam o drama de seus ídolos para enfrentar a doença que, na época, era uma batalha perdida. Agora, com a menor exposição dos soropositivos, a tendência é de relaxamento.
Outro fator que contribuiu para o aumento dos casos é a banalização do sexo. Os adolescentes têm iniciado sua vida sexual cada vez mais cedo, muitas vezes sem a devida conscientização. Profissionais da saúde apontam a mistura sexo-álcool-drogas como um dos itens que potencializam esse comportamento. A irresponsabilidade é característica típica da juventude, mas nesse caso especificamente é preciso seriedade.
O Paraná, embora não tenha registrado a maioria dos casos do País, tem alta incidência da doença, como destaca reportagem publicada na edição de hoje. Seis municípios - Pinhais, Paranaguá, Curitiba, Foz do Iguaçu, Piraquara e Colombo - fazem parte do ranking das cem cidades com maior número de casos. O Sul concentra cerca de 20% das notificações, perdendo apenas para o Sudeste, que responde por 56,4% do total. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, juntos têm a maior incidência com o registro de 28,8 casos a cada 100 mil pessoas.
Desta forma, a conclusão a que se chega é que os investimentos na prevenção da doença não devem cessar. Campanhas educativas e programas de educação sexual devem ser intensificados. É preciso uma força-tarefa para reduzir ao máxima a incidência da doença no País.

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