Falta ambição para o País crescer
A economia brasileira está numa fase de transição. Entender o que está acontecendo agora é condição para que empresas, principalmente médias e pequenas, tenham mais dados sobre a tendência no segundo semestre, que promete solavancos. Anteontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comemorava a ascensão social de grande camada da população. Dias atrás o governo falava do crescimento da economia. O ambiente econômico nacional e mundial permitia crescimento maior que o atingido pelo Brasil, mas de qualquer forma, a economia cresceu e gerou empregos; é o que basta.
No entanto, em termos de análise, nunca se deve ficar com uma versão apenas, principalmente quando ela é oficial. Os bancos, o setor mais beneficiado com a política econômica do governo Lula - basta acompanhar seus balanços - não estão comungando, nem eles, com o otimismo que vem sendo manifestado pelo presidente do BC. Ontem, o presidente e CEO do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avaliou que o Brasil tem feito investimentos, mas para crescer a uma taxa de 4% ao ano. Ele fez a afirmação durante palestra na 2010 Latin American Cities Conference, que nesta 6ªedição tem como tema O Brasil é o Futuro.
Segundo Setubal, à Agência Estado, há uma necessidade de se fortalecer o mercado de capitais, que chega até a ser atraente para investimentos estrangeiros, mas depende muito da questão fiscal do País e do estágio da economia externa. Ele disse também que a iniciativa privada precisaria investir mais no Brasil porque a maior parte dos investimentos feitos na economia brasileira hoje vem do setor público.
Na avaliação de Setubal, os investimentos que já foram feitos no Brasil estão aqui para ficar, mas há o problema sério na economia brasileira que ainda não tem uma poupança interna forte o suficiente para propiciar taxas de crescimento de 6% a 7% ao ano de forma sustentável.
Tendência dos bancos: O presidente do Itaú Unibanco também disse que a instituição está aberta e avaliando oportunidades para fusões e aquisições. Ele acredita que essas oportunidades estarão abertas pelos próximos três anos, dado o estágio da economia brasileira, e acrescentou também que o processo de internacionalização do banco, anunciado quando da fusão com o Unibanco, dependerá da solidificação do processo de integração das operações dos dois bancos.





