Falta a obra antecedendo a palavra
Está certo o presidente Lula ao pedir aos brasileiros uma corrente de otimismo, afinal ser otimista é um esforço que não custa tanto e o brasileiro é por natureza descrente e pessimista mas para isso precisa municiá-los de algumas ferramentas, como programas concretos de obras e reformas, algo palpável e bem fundamentado que acene como fórmula de solução e, assim, crie esperanças e desperte o entusiasmo nacional. Conclamações e espetáculos verbais, como o do crescimento, e antes dele o do Fome Zero, do qual nada mais se ouviu falar, já não empolgam o povo. Discursos eram o ponto forte do então líder sindical, mas havendo ele chegado ao poder, apenas palavras já não surtem efeito se forem apenas palavras e nada mais que palavras. A última realização verbal do presidente foi quinta-feira, em Santa Catarina, quando declarou que o Brasil ''agora entrou na rota do crescimento sustentável''. Apenas mais um édito oral, porque ninguém conhece essa rota e não tem nenhum motivo para acreditar em tal afirmação. Certamente que boas intenções não faltam a Lula, mas o eleitorado agora reclama a vez da ação no lugar da falação, afinal esta foi a bandeira da campanha eleitoral petista e que semeou, como nunca acontecera antes, fundas esperanças no seio da nação brasileira. Há um desencanto geral, parecendo que Lula apenas assumiu o poder mas não assumiu o governo. O grave é que, reeditando o que fazia FHC, o atual presidente começa a ouvir suas próprias palavras, acreditar nelas e envolver-se na própria empolgação, como o demonstra sua afirmação de que ''o crescimento econômico deste ano está ganho'', e ''isto graças a políticas coerentes que o governo colocou em prática''. Admitir, ao menos, que as coisas não vão bem em sua administração seria um indicativo de melhoria futura e de expectativa, mantenedora de esperanças, mas quando o governante começa a proclamar que seu governo ''tirou o Brasil de uma situação caótica'', então percebe-se que o presidente delira e vai deixando de ser o líder confiável, amado pelo povo ao chegar ao Planalto, para cair na galhofa popular. Lula afinou, e seu esperado urro de leão virou miado de gato. A imagem que a opinião pública faz do governo é que falta o comandante, justamente este que se esperava iria governar com mão de ferro e colocar, afinal, o Brasil governamental nos eixos. Resta o Brasil cidadão, e neste repousam sólidas esperanças!





