Falsificação de agrotóxico gera prejuízo de US$ 20 mi
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domingo, 12 de maio de 2002
Agência Estado 
São Paulo Os fabricantes de agrotóxicos, principalmente de herbicidas usados no controle de plantas daninhas à cultura da soja, estão enfrentando um sério problema: a entrada no Brasil de doses maciças de produtos contrabandeados e falsificados. Na última safra, segundo levantamento feito pelo Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas (Sindag), as empresas do setor tiveram prejuízo da ordem de US$ 20 milhões por causa da concorrência do produto sem origem definida. O volume de produtos contrabandeados aumentou 20 vezes nos últimos 5 anos.
Um representante do setor, que preferiu não se identificar porque está envolvido na investigação do problema, disse que os agricultores incautos compram o produto contrabandeado e falsificado para obter uma vantagem apenas aparente. A diferença de preço é da ordem de 50%, mas, enquanto o herbicida regular tem eficácia comprovada pelo fabricante, o falsificado provoca redução na produtividade que só é percebida ao longo dos anos.
Outro aspecto relevante, segundo relato do Sindag, é que, além de não apresentar garantia de qualidade quanto ao controle das ervas daninhas, o produto contrabandeado pode contaminar o solo e os alimentos, além de comprometer a sa© úde dos aplicadores de defensivos pois suas dosagens e formulação não são controladas. Os produtos são originários da China e chegam ao Brasil pelo Paraguai, atravessando clandestinamente a fronteira em cidades como Foz do Iguaçu (PR) e Ponta Porã (MS).
Um único princípio ativo falsificado, o metsulfuron, foi usado em 50 mil hectares de lavouras na safra passada. Frente ao volume de soja produzido pelo Brasil , que foi de 41,5 milhões de toneladas na safra 2001/2002 , e da área plantada, da ordem de 12,5 milhões de hectares, a participação ddos produtos contrabandeados e falsos ainda é pouco significativa. Mas os representantes das empresas, colhem provas para motivar a Polícia Federal a reprimir o contrabando que pode representar, para o Brasil, perdas imensas em exportações, impostos e danos ambientais. Se não há controle, os importadores podem levantar barreiras contra a soja porque os herbicidas usados no plantio são de origem desconhecida, disse um representante do Sindag. No ano passado, a exportação de produtos do complexo soja rendeu para o Brasil cerca de US$ 5 bilhões em divisas e o comércio geral de defensivos agrícolas no País movimentou cerca de US$ 2,2 bilhões.
Marcos Valadão, coordenador de fiscalização de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, disse que cabe às secretarias estaduais de Agricultura cuidar da fiscalização do comércio e do uso de agrotóxicos. Ressaltou, porém, que sempre que há denúncia de contrabando ou falsificação, o Ministério da Agricultura aciona a polícia e faz campanha de esclarecimento junto às entidades representativas dos agricultores.


