Falou demais
Oito meses de governo e quatro ministros trocados por causa de polêmicas e escândalos. O último, Nelson Jobim, da Defesa, deixou o cargo anteontem depois de uma série de declarações inoportunas que o colocaram de saia justa frente à presidente Dilma Rousseff. A gota d'água foi uma entrevista à Revista Piauí na qual o ex-ministro faz comentários pejorativos a colegas ministros. Chamou Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de ''fraquinha'' e disse que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) ''nem conhece Brasília''.
A paciência da presidente com o ministro herdado do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, já dava sinais de saturação com as declarações de amor que Jobim manifestou ao PSDB. Em discurso durante homenagem feita pelo Senado pelos 80 anos de FHC, ele fez uma declaração que causou desconforto no Planalto. ''O que se percebe hoje, Fernando (Henrique Cardoso), é que os idiotas perderam a modéstia. E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento.''
No dia 26 de julho, uma ''escorregada'' em outra entrevista colocou Jobim em situação muito delicada com o governo. Ele admitiu que votou em José Serra, do PSDB, para presidente e não na atual chefe, a presidente Dilma.
Embora transitasse nos dois mundos, do PSDB e do PT, Jobim esqueceu que é difícil agradar situação e oposição. A história dele com Fernando Henrique Cardoso vem de muito tempo. Depois de ter exercido dois cargos de deputado federal pelo PMDB gaúcho (1987 a 1995), foi ministro da Justiça de FHC, que o nomeou também para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), depois assumiu a presidência dos tribunais Superior Eleitoral (TSE) e do STF, além de passar pela presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ao governo Lula, juntou-se em 2007, no Ministério da Defesa, cargo que continuou exercendo até quinta-feira.
Embora não tenho conseguido avanços na estrutura área brasileira, problema que faz parte da Defesa, Jobim deixa o cargo com elogios, principalmente por ter conseguido impor sua autoridade às Forças Armadas. Ele foi o primeiro civil à frente dos militares no País. Após as últimas declarações fatais, ou Jobim pensava que era inatingível ou ele torcia mesmo pela demissão. Com a decisão de pedir a demissão do ministro, a presidente Dilma tenta colocar ordem na casa.





