Fosse Lula, Ciro ou Garotinho. Ou melhor, quem quer que fosse. Mas a decisão da coordenação da campanha do candidato tucano José Serra erra (a rima não é proposital) mais uma vez ao manter a estratégia de atacar o adversário durante o segundo turno. Usando o termo ''descontrução'' de Lula, essa coordenação tomou a decisão em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o que torna o equívoco maior ainda.
Este jornal repete o que já manifestou neste espaço. O ato de um candidato somente atacar o oponente já denuncia falta do que dizer ou mostrar ao eleitor. E o eleitor já está cansado de tantas agressões. Neste momento, ele prefere debate de alto nível, inclusive sobre a caótica situação econômica que só não afeta o especulador.
São tantos os problemas e poucas as respostas. A população bem que gostaria de ter do presidente da República alguns esclarecimentos sobre fatos atordoantes que acontecem no cotidiano dos brasileiros. Por que o óleo de soja sobe de um dia a outro, por exemplo?
Claro, o presidente tem esta resposta, mas como a causa está vinculada à sua política econômica, ele prefere não responder. Assim como o seu candidato, que na última segunda-feira, no reinício do horário da Justiça Eleitoral, tentou mas não conseguiu convencer. Quis dizer que apesar de sentir orgulho de ter feito parte do atual governo, como candidato quem estava ali falando aos eleitores era o Serra, e não o homem do governo. E agora, assume com o governo a decisão de continuar batendo no adversário, para tentar a sua ''desconstrução''. Nem o termo, aliás, existe.
Walter Ogama

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