Falar muito, saber pouco: o risco das certezas fáceis
Nunca foi tão fácil encontrar opiniões superficiais sendo tratadas como verdades absolutas
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de abril de 2026
Nunca foi tão fácil encontrar opiniões superficiais sendo tratadas como verdades absolutas
Brazil Alvim Versoza 
Vivemos uma época curiosa: nunca houve tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil encontrar opiniões superficiais sendo tratadas como verdades absolutas. Esse fenômeno não é apenas social — ele é também psicológico.
Existe uma explicação conhecida para esse comportamento: quanto menos uma pessoa domina determinado assunto, maior tende a ser sua confiança para opinar sobre ele. Já quem possui conhecimento aprofundado geralmente reconhece a complexidade do tema, suas limitações e as múltiplas variáveis envolvidas. Por isso, fala menos, pondera mais e evita conclusões apressadas. O resultado prático é paradoxal: quem sabe pouco fala com certeza; quem sabe muito fala com responsabilidade.
Essa diferença ajuda a entender por que as fake news circulam com tanta facilidade. A desinformação costuma ser simples, direta, emocional e afirmativa. Já a informação correta exige contexto, nuance e explicação. Em um ambiente dominado pela velocidade das redes sociais, a mensagem curta e categórica quase sempre vence a análise cuidadosa.
Outro fator importante é que opinar exige menos esforço do que estudar. Construir conhecimento demanda tempo, leitura, confronto de fontes e disposição para rever certezas. Já repetir uma opinião pronta exige apenas confiança — muitas vezes infundada. Assim, cria-se um cenário em que o volume de opiniões cresce muito mais rápido do que o volume de conhecimento.
Há também um elemento social nesse processo. Opinar virou sinal de participação, pertencimento e posicionamento público. O silêncio, por outro lado, passou a ser confundido com fraqueza ou desconhecimento. No entanto, em muitos casos, o silêncio é justamente sinal de maturidade intelectual.
Por isso, fortalecer a cultura do pensamento crítico é essencial. Valorizar quem estuda antes de opinar, quem reconhece dúvidas e quem muda de ideia diante de evidências deveria ser um compromisso coletivo. Uma sociedade que confunde convicção com conhecimento corre o risco de tomar decisões baseadas em ruído, não em fatos.
Talvez o verdadeiro avanço não esteja em falar mais sobre tudo, mas em aprender melhor sobre aquilo que realmente importa.
Brazil Alvim Versoza (engenheiro) Londrina


