Vivemos uma época curiosa: nunca houve tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil encontrar opiniões superficiais sendo tratadas como verdades absolutas. Esse fenômeno não é apenas social — ele é também psicológico.

Existe uma explicação conhecida para esse comportamento: quanto menos uma pessoa domina determinado assunto, maior tende a ser sua confiança para opinar sobre ele. Já quem possui conhecimento aprofundado geralmente reconhece a complexidade do tema, suas limitações e as múltiplas variáveis envolvidas. Por isso, fala menos, pondera mais e evita conclusões apressadas. O resultado prático é paradoxal: quem sabe pouco fala com certeza; quem sabe muito fala com responsabilidade.

Essa diferença ajuda a entender por que as fake news circulam com tanta facilidade. A desinformação costuma ser simples, direta, emocional e afirmativa. Já a informação correta exige contexto, nuance e explicação. Em um ambiente dominado pela velocidade das redes sociais, a mensagem curta e categórica quase sempre vence a análise cuidadosa.

Outro fator importante é que opinar exige menos esforço do que estudar. Construir conhecimento demanda tempo, leitura, confronto de fontes e disposição para rever certezas. Já repetir uma opinião pronta exige apenas confiança — muitas vezes infundada. Assim, cria-se um cenário em que o volume de opiniões cresce muito mais rápido do que o volume de conhecimento.

Há também um elemento social nesse processo. Opinar virou sinal de participação, pertencimento e posicionamento público. O silêncio, por outro lado, passou a ser confundido com fraqueza ou desconhecimento. No entanto, em muitos casos, o silêncio é justamente sinal de maturidade intelectual.

Por isso, fortalecer a cultura do pensamento crítico é essencial. Valorizar quem estuda antes de opinar, quem reconhece dúvidas e quem muda de ideia diante de evidências deveria ser um compromisso coletivo. Uma sociedade que confunde convicção com conhecimento corre o risco de tomar decisões baseadas em ruído, não em fatos.

Talvez o verdadeiro avanço não esteja em falar mais sobre tudo, mas em aprender melhor sobre aquilo que realmente importa.

Brazil Alvim Versoza (engenheiro) Londrina

mockup