A principal motivação que me levou a escrever este texto foi o fato de às vezes me deparar com situações até certo ponto cômicas na empresa onde eu trabalho. Fiquem tranquilos, não sou nenhum professor de inglês e não trabalho em nenhuma escola do ramo, apenas sou apaixonado pelo novo e pelo sadio.
É muito comum grandes empresas receber estrangeiros para acompanhar mudanças no processo de produção, treinamento ou simplesmente visitar novas instalações. Esses executivos, às vezes, chegam aqui falando quase nada em português. Nos primeiros dias de trabalho, os esforços do recém-chegado para se comunicar chega a ser cômico. Quem já vivenciou situação semelhante sabe que não estou exagerando. Alguns dias depois lá está o ''gringo atrapalhado'' comunicando-se em português até razoável. É que ele foi exposto a um novo idioma e a uma nova cultura. Não há segredos ou inteligências especiais envolvidos na rapidez do aprendizado. Mas existe, com certeza, uma dose elevada de querer.
Um dia perguntei ao um professor quanto tempo seria necessário para aprender inglês: ''seis meses, um, dois, quatro anos''? Ele respondeu 1.200 horas. Olhei perplexo e ele respondeu novamente:1.200 horas. Mas quanto tempo isso levaria no total? E ele respondeu: 1.200 horas. Aí eu pensei. Se eu preciso de 1.200 horas e estudo três horas por semana, o que é bastante comum, duas aulas de uma hora e meia cada, teremos: 1200/3 = 400. Serão 400 semanas, ou seja, oito anos. Agora teremos essas mesmas 1200 horas sob outras circunstâncias. Você vai morar em um país de língua inglesa para melhorar o seu inglês. Você dorme oito horas. Ao acordar liga o rádio ou a tv e ouve notícias em inglês, toma café com os amigos falando em inglês, compra um jornal, estuda, trabalha, diverte-se. Tudo, e sempre falando em inglês. Sabe o que acontece? Suas 1.200 horas agora serão divididas por 16 (todo o tempo em que estiver acordado). Então: 1200/16 = 75 dias. Dois meses e meio. A verdade é que culturas diferentes não são melhores nem piores, são apenas diferentes.
Mas existe uma enorme diferença em querer, precisar e gostaria de falar inglês. Para você entender melhor, vamos ao meu exemplo. Contratado por um ano, presenciei meu supervisor recebendo uma ligação internacional. Acompanhei com muita atenção. Tenho conhecimento da língua, mas não o suficiente para uma conversação fluente, ainda. Comentei que havia entendido um pouco, mas não muito. Eu preciso aprender inglês, disse, determinadamente. ''Ótimo. Mas será que você quer aprender? Ou apenas precisa? Ou simplesmente gostaria? Meio perplexo disse: ''eu quero aprender''. Ele me perguntou quantas palavras conhecia do idioma inglês, e eu respondi : umas duzentas. Em seguida me perguntou a idade, e eu respondi: 25 anos. Dividindo 200 palavras/25 anos de idade, chegamos a trágica conclusão de que havia aprendido apenas oito palavras por ano. Abaixei a cabeça e lamentei, assustado. Muitas pessoas vivem dizendo que querem aprender inglês quando apenas precisam dele para uma situação específica, ou simplesmente gostariam de falar esse idioma por qualquer razão, mas na realidade não querem aprender. Pois quem realmente quer, faz.
Fábio Rodrigo Milanez é colaborador da Cia Iguaçu de Café Solúvel de Cornélio Procópio

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