Falar de Londrina, nos seus 72 anos
Não há um dia em que este Jornal não fale de Londrina, mas neste 10 de dezembro, data em que se celebra os 72 anos de instalação do Município, a FOLHA publica uma edição especial mostrando aspectos da cidade nos dias atuais. E também exaltações e críticas, em artigos assinados de cidadãos do Município, incluindo o prefeito Nedson Micheleti. Londrina é uma cidade progressista, diz um deles; Londrina não é progressista, diz outro. São posições divergentes, refletindo a macro-opinião pública. Mas nos últimos anos, as críticas manifestadas pelo clamor popular têm ganhado intensidade, porque ocorreu o episódio de Londrina sair do pódio e perder (para Joinville) o posto de terceira mais importante cidade do Sul, depois de Porto Alegre e Curitiba, e porque também seu índice de desenvolvimento humano não é hoje dos melhores. Fatores diversos contribuíram para lances de crescimento e de queda. O que ocorre com Londrina, ocorre com o Brasil, que está estagnado e tem avançado devagar. O empreendedorismo privado, no entanto em nível nacional e londrinense tem seguido sua marcha, porque o Brasil-cidadão não pára, embora sem grandes incentivos oficiais, pela ausência de projetos desenvolvimentistas dos governos. Empresas, sobretudo comerciais, abrem-se e algumas vão em frente, enquanto outras encerram atividades um ano depois. Este é um retrato brasileiro e é também o de Londrina. Os indicativos são as instalações vazias e as placas de aluga-se que vão surgindo na cidade. Mas há uma crise macroeconômica, que não é londrinense. No que dependeu do poder público municipal, os incentivos não foram de grande arrojo. Londrina, se é beneficiada pelo fluxo da clientela regional que busca todas as formas de bens e serviços que lhes falta e que a metrópole disponibiliza tem também o ônus de atendê-la com seus serviços, que abarca inclusive os sociais, especialmente os de saúde, educação, emprego e moradia. O poder público no que lhe compete não tem podido acompanhar a demanda no mesmo ritmo, e por isso abundam as cobranças. Certo é que a cidade não pára de expandir-se, tanto em população quanto em infra-estrutura privada de serviços, com alguma sobra para os oficiais. E se empreendimentos de fora instalam-se nos municípios periféricos, é porque contam com Londrina como núcleo central desenvolvido. E porque suas áreas vão escasseando e tornando-se caras. O poder público poderia ser mais arrojado em sua política de incentivo, porque uma voz de liderança forte gera entusiasmo e opera milagres. Faltam políticas mais arrojadas e falta propagandear mais Londrina, por maneiras múltiplas. De todo modo, Londrina gentílico de Londres, porque os ingleses a colonizaram permanece solene e, com altos e baixos, não perde seu charme e seu aplomb.





