Falando do emprego - Ricardo Prochet
Ricardo Prochet
O modismo atual é o desemprego, e como já não sou lá muito seguidor de modas e tento sempre me tornar um vanguardista e pós-moderno, falarei sobre emprego. Não sobre as tais novas relações empregado-empregador que serão válidas para o próximo milênio, como se por passe de mágica, tudo ficasse substancialmente diferente durante a intensa queima de fogos que anunciará a chegada do ano novo.
A preocupação mundial em relação ao tema é tamanha que já em 1993, em encontro realizado pelo Grupo dos Sete (G7), o desemprego foi escolhido como tema principal, e chegaram à conclusão: A desocupação crônica é um problema estrutural que parece ter vindo para ficar, e constitui um dos maiores desafios para governos e sociedades do Primeiro ao Terceiro Mundo.
A discussão não é mais a exploração dos trabalhadores pelos capitalistas. O problema é como conseguir emprego para o trabalhador substituído pela máquina. Segundo a OIT, no ano 2000, um em cada três trabalhadores do mundo estará desempregado.
Recentemente, uma boa parcela das universidades brasileiras promoveu encontros para, seguindo rigorosamente o modismo, debaterem o desemprego e ao final oferecerem sugestões que trouxessem ao menos uma luz sobre o que poderia ser feito e em especial, como poderia ser feito a um baixo custo para a sociedade como um todo.
Defendeu-se calorosamente durante o debate londrinense, do qual tive a honra de participar com pessoas muito bem preparadas, itens como a criação de cooperativas de trabalhadores, que garantiria sobremaneira a aplicação da constituição federal que em seu artigo 193, textualmente preceitua que a ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais.
Quando se faz a leitura deste e outros artigos da Constituição, verificamos que o primeiro fato a ser observado é que ela usa o vocábulo trabalho e não emprego. O trabalho sem emprego é factível e devemos, no mínimo, considerá-lo como uma realidade a ser encarada e administrada, mesmo que não concordemos com ela. Devemos, portanto, analisar o fenômeno procurando extrair-lhe os aspectos positivos. É importante, no entanto, que não tentemos regulamentá-lo com inúmeras leis e normas, mas não que isso signifique deixar o tema sem absolutamente nenhuma regulamentação.
Mesmo sendo a criação de cooperativas de trabalho um excelente tema para debates infindáveis na Justiça do Trabalho, associações de classe, sindicatos e de outros órgãos governamentais ou não, a minha visão é de que a adoção de tal medida traria enorme benefício ao empregador, pela economia de impostos e taxas observadas, sem que, no entanto crie qualquer novo posto de trabalho, uma vez que a economia gerada não será revertida em aumento da produção das empresas.
Semelhante tratamento econômico deve ser entendido em relação às demais sugestões que povoam os jornais e revistas ultimamente, tais como, desregulamentação das leis trabalhistas, redução de carga horária e outras idéias mirabolantes que encontramos por aí.
Como o mercado de trabalho existente está saturado, temos que ser criativos e em todas as universidades deve ser implantada a disciplina de formação de empreendedores. O que mais precisamos no momento é de empregadores, pois empregados temos sobrando. Existem empresas que vão crescer mais, como: indústria do lazer; informática, atividades educacionais de caráter suplementar; academias de ginástica e outras atividades para manter a saúde ou prevenir doenças.
O turismo tem grande expectativa. Na Espanha, 38% da força de trabalho está em atividades turísticas, pois o país recebe 36 milhões de turistas estrangeiros. Nossa vizinha Argentina recebe cerca de 4 milhões de turistas estrangeiros por ano. Nos Estados Unidos, 4 em cada 5 trabalhadores estão atuando na economia de serviços. Uma legião de americanos trabalha hoje no turismo, entretenimento, cultura, esporte e saúde. Essa grande flexibilização e cultura do lazer tem ajudado a manter o índice de desemprego abaixo dos 6% desde 1980. Enquanto nos Estados Unidos o setor terciário (de serviços) já responde por 70% do PIB, no Brasil ainda estamos em 53%.
Aumento de produção se dá via aumento de consumo e aumento de consumo e produção tem como consequência criação ou reativação imediata de postos de trabalho. O crescimento do emprego via crescimento econômico não pode ser jamais esquecida, pois a substituição do homem pela máquina se dá de forma mais expressiva no setor secundário da economia e aumento da produção seja ela por máquinas ou não, aumentarão substancialmente as ofertas de emprego no setor terciário da economia.





