Falando de breguice e senilidade
Para um Legislativo desmoralizado de ponta a ponta, uma sunga a mais ou um decoro a menos não altera muito. Pior que o desfile de Suplicy, é o desfile de escândalos protagonizados por inúmeros outros senadores na passarela entre as duas Casas do Congresso e o Palácio do Planalto, com direito a troca de alegorias e máscaras na antessala presidencial.
Pior que o sinal de senilidade, expresso na falta de compostura do senador petista, é a sinalização da falta de perspectiva deste país, se depender dessa gente que se farta sob a proteção do que ainda chamamos de democracia. Que contradição! Com certeza, aturar essa gente não é o preço da democracia, até porque eles não são democratas. Parasitas não são democratas.
Talvez o que surpreenda não é o gesto do decrepto senador, o mesmo que deu cartão vermelho a Sarney. Mas foi alvo de chacota porque o fez depois que a velha raposa havia sido inocentada. O que surpreende de fato é a hilária observação do corregedor do Senado, Romeu Tuma, ao anunciar uma investigação preliminar para apurar a brincadeira de Suplicy. Na avaliação dele, o episódio prejudica a imagem do Congresso.
A brincadeira, sem maldades, de Suplicy prejudica mais o quê? Ele, como nenhum outro não perderia a oportunidade de holofotes proporcionada por Sabrina Sato, que de simplória não tem nada. A atriz procurou logo quem renderia facilmente bons momentos para galhofas. Suplicy tem antecedentes.
A notícia, que não mereceu destaque na grande imprensa, a não ser para reforçar a imagem corroída dos legislativos -, é a seguinte: O senador Eduardo Suplicy virou alvo de críticas por ter desfilado pelos corredores do Senado trajando uma cueca vermelha por cima do terno na última quarta-feira.
A desmoralização do Congresso parece contagiosa. Guardadas as proporções, maus exemplos se repetem em casas legislativas de todo o País. Parece castigo: quem deve fiscalizar e dar sentido à democracia, é justamente quem se envolve em falcatruas. E aqui entre nós, cidades do Paraná, notadamente Londrina, não são exceção. Que essa farras,em tempos pré-eleitorais, pelo menos façam os cidadãos refletirem.





