Faculdade não forma o que empresa busca
Estudo do Instituto Via de Acesso, da capital paulista, demonstra que jovens recém-formados não possuem os conhecimentos de que a empresa necessita. Portanto, falta às faculdades a sintonia com a realidade empresarial. As escolas disseminam no mercado, anualmente, 1 milhão e 500 mil pessoas com diploma na mão, mas apenas metade consegue atuar na área de formação. As exigências da empresa aumentam cada vez mais e as escolas não acompanham esse ritmo. E não se trata de falta de emprego e sim de qualificação.
A revelação surpreende, por duas razões: a existência de vagas de trabalho para esses profissionais graduados, em país de tanto desemprego para a mão-de-obra de menor qualificação, e o distanciamento das faculdades ante a realidade do mercado. Também diretores da Cia. de Talentos (SP) endossam esse fato, afirmando que 50% dos recém-formandos que se habilitam a um emprego são reprovados já na primeira triagem, por demonstrarem falta de iniciativa, de maturidade e de argumentação. Escasseia nesses formandos o conhecimento sobre assuntos gerais, e isso significa, segundo aquela empresa que atua na colocação no mercado de jovens formados que eles não lêem freqüentemente, por isso não são ativos e não possuem análise crítica.
As universidades ensinam o técnico mas não o comportamental, e as empresas hoje valorizam muito as características pessoais afirma a especialista Sofia Esteves. Aquilo que é incumbência da escola passa a ser desempenhado pela empresa, porque é dentro dela, exercendo a atividade, que o recém-formando irá de fato aprender. A diferença entre os que conseguem trabalho e os que não o conseguem é essa estrutura adicional que o estudante precisa ir adquirindo, ao longo do curso, e que se traduz por buscar conhecimentos também fora do banco escolar, por todos os meios disponíveis. A leitura, um deles.
Nem tudo está tão mau, porque a situação é amenizada por programas das próprias instituições escolares de introduzir estudantes em grandes empresas. Os resultados são positivos para ambos aluno e empresa e assim o acadêmico aprende a teoria na faculdade e a prática na empresa. O estudo divulgado salienta que as sete habilidades básicas para uma boa colocação são comunicação escrita, comunicação verbal, criatividade, relacionamento interpessoal, inteligência emocional, intimidade com tecnologias e espírito para trabalhar em equipe. E isto a escola não ensina suficientemente.
Da Universidade que se pressupõe a universalidade de conhecimentos é que deveria emanar a irradiação de todo o saber, emergindo dali inclusive para a empresa, mas vê-se que tal não ocorre satisfatoriamente, porque é a empresa cada qual em sua especialidade que está na dianteira do processo. Tem fundamento o dito popular de que na prática a teoria é outra.





