Facilitar as coisas para a atividade rural
A palavra agronegócio pode soar, equivocadamente, como só referente à agricultura em escala, mas na verdade trata de toda a atividade rural, incluindo agricultura e pecuária, de grandes, médios e pequenos produtores. Inclui também a produção semi-industrializada de alimentos caseiros e as gigantes agroindústrias. Porque todas as suas matérias-primas têm origem no campo. A denominada agricultura familiar faz parte, igualmente, do agronégocio. São muitas as vertentes que compõem esse grande sustentáculo da economia nacional.
Facilitar as coisas para esse setor de atividade será sempre uma medida prudente, por isso o Governo (aí compreendido também o corpo parlamentar) deve dar atenção ao pleito atual dos produtores rurais brasileiros, que é intensificação da negociação sobre as dívidas rurais. Neste momento os deputados da bancada ruralista na Câmara Federal realizam a ''força-tarefa do agronegócio'', com aquele objetivo, contando com a participação de técnicos da Confederação Nacional da Agricultura, da Organização das Cooperativas Brasileiras e dos Ministérios da Fazenda e da Agricultura.
Mas não apenas a negociação das dívidas rurais e a suspensão das execuções fiscais devem merecer atenção, como também o custo da produção - que em certos casos inviabiliza certas atividades rurais - e a redução dos juros de financiamentos. Executar um produtor de alimentos é um contra-senso, porque a agricultura pode sobreviver sem as populações urbanas mas estas não sobrevivem sem o abastecimento que lhes chega do campo. Sob o olhar das autoridades governamentais, a produção rural precisa ter um enfoque privilegiado, pela razão apontada, que é a da sobrevivência humana. Todas as discussões devem ser esgotadas no que respeita às execuções, e ao final a sensatez deve prevalecer, porque - usando-se de um recorrente dito popular - pode-se comer os ovos mas não matar a galinha.
Como está sendo apregoado, o produtor precisa ''estar confortável para poder trabalhar e alimentar a nação''. Esta, mais que uma verdade, é um exercício de prudência e de gratidão. Porque, se todos os trabalhadores são necessários, em qualquer campo de atividade, e devem merecer atenção governamental, não pode haver descuido com a produção alimentar. O Brasil vive problemas de sustentabilidade econômica no setor rural, incluindo-se a questão agrária, que nunca se resolve. Por isso, mais que tarda a geração de políticas públicas de proteção ao agronegócio. Ninguém perderá com isto, mas é certo que muitos ganharão. E esses muitos são a nação inteira.





