É bom saber, conforme levantamento publicado no final da semana por este Jornal, que Londrina é a segunda cidade do Brasil mais ágil na liberação de licença para funcionamento de uma empresa. (A primeira é Vitória, ES). A Prefeitura afirma que em certos casos Londrina é a primeira, porque licenças têm sido dadas em até um dia e muitas outras em 15 dias, cotejando com os 18 dias daquela cidade. O estudo é da corporação financeira internacional que atua para o Banco Mundial. Os itens avaliados são tempo, custo, número de idas do empresário às prefeituras e porcentagem de indeferimentos.
Mas na contrapartida ocorre também o fenômeno das empresas que fecham as portas, e em Londrina é comum ver-se o encerramento de atividades depois de três meses da abertura do negócio. As placas de ''aluga-se'' no lugar onde havia uma loja, outra modalidade de serviço ou uma pequena fábrica, são sempre um desalento até para os passantes. As razões para essa ocorrência são múltiplas. Eventualmente, inabilidade gerencial, localização inadequada, preços fora dos parâmetros, ramo de atividade incompatível com hábitos regionais e preferências de uma cidade, dificuldade de estacionamento etc, mas contribuem negativamente também as complexas políticas públicas. Imposto exorbitante e baixo volume salarial - isto daqueles que estão empregados, porque muitos nem empregos têm - são realidades mortais para os negócios no Brasil.
No fim da semana leu-se neste Jornal que uma empresa com 25 anos de Londrina e 110 empregados acaba de encerrar a atividade de sua filial local. É a cerâmica Pisos Eliane, que preferiu voltar-se para o Nordeste brasileiro - com a transferência da unidade daqui para Camaçari, na Bahia - embora mantendo sua sede central e sua grande fábrica em Criciúma, no sul de Santa Catarina. Uma das razões apontadas para o fechamento é o alto custo da matriz energética numa região que não dispõe de gás natural. A debandada da fábrica é sem dúvida um impacto negativo, ademais porque se tratava de uma indústria não-poluente, contribuidora da dinamização da economia e mantenedora daqueles empregos - que sempre devem ser multiplicados por quatro dependentes - e, naturalmente, arrecadadora de impostos. Com isso cai um pouco o ranking da cidade, que já havia perdido o posto de terceira mais importante do sul do País, e não só em população mas também em outros itens. Planos empresariais às vezes são irreversíveis e atendem a políticas específicas de cada grupo, mas é sempre desalentador uma cidade ver-se excluída, quando espera não isto mas eventualmente a expansão das unidades instaladas. Se a população da cidade a cada dia aumenta, novos contingentes chegam à idade dos 18 anos, que é a marca da busca de emprego na vida de um jovem. Uma fábrica a menos é mais gente desempregada de imediato e um número correspondente de vagas que se fecham para os que iriam ocupá-las no futuro.

mockup