Um roubo de cargas a cada dois dias faz do Paraná um olímpico campeão na modalidade. Dos 90 assaltos a veículos de transporte, de janeiro e junho deste ano, 54 foram em Curitiba e Região Metropolitana, portanto em plena área urbana, onde há mais presença de policiamento. Os demais ocorreram no restante do Estado. As cargas preferidas são eletro-eletrônicos, soja e cigarros, sem interesse pelo veículo, porque este tem marcas identificadoras e aquelas mercadorias não. A alegação da Polícia é simplória demais para valer como justificativa: que é difícil desarticular as quadrilhas porque o motorista é rendido e quando faz a denúncia a carga já foi desviada. Mas não são apenas os assaltantes, porque essas mercadorias vão para as mãos de receptadores, e então o leque de envolvidos se expande. Como alguns ladrões já foram presos, indaga-se como não foi possível chegar ao ponto onde essas cargas são destinadas e ao desbaratamento da rede. Um carregamento de soja ou de eletrônicos não é nada sutil que possa ser facilmente ocultado, ademais tantos furtos seguidos já ofereceram suficientes oportunidades para um flagrante. O elevado ranking de roubos foi mostrado agora no Congresso Sul-americano de Logística e Transporte, realizado na capital do Estado. O representante argentino nesse encontro afirmou que em seu país, onde tal tipo de roubo também ocorre, havia policiais e políticos envolvidos, e quando isto acontece fica realmente difícil qualquer ação para chegar aos ladrões e receptadores. Na Argentina, uma medida concreta foi dirigir as vistas também para as lojas, no caso dos eletrônicos, porque também elas entram no rol dos que receptam mercadorias roubadas. Não será necessário dizer que não havendo quem compre não haverá estímulo para o roubo. A verdade é que nessa categoria de roubos, com toda certeza, não estão envolvidos pequenos receptadores, destes que compram dos ladrões comuns de residências ou lojas, mas gente graúda que banca compras em toneladas, caso da soja, com locais amplos de desembarque. Com os eletrônicos dá-se o mesmo, porque não se trata de unidades isoladas mas de grandes carregamentos. É uma operação que envolve muita logística e muita gente. Estranha muito que seis meses de roubos seguidos de tão volumosas cargas escapem da vigilância e não deixem pistas.

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