Facções criminosas nos presídios do Paraná
Jornalistas que foram ontem ao 1º Distrito Policial (DP) de Curitiba para coletiva com o secretário estadual de Segurança, Fernando Francischini, se surpreenderam com a quantidade de aparelhos de telefonia celular dispostos em três mesas. Os 562 aparelhos foram apreendidos desde o começo do ano em 120 carceragens em delegacias e cadeias públicas do Paraná, durante vistorias. Os telefones não foram os únicos objetos apreendidos que chamaram atenção dos policiais. Também foram encontrados 295 carregadores, 395 baterias, 156 chips e 363 artefatos e armas artesanais, juntamente com pequenas armas brancas e serras.
Mas essa grande apreensão não foi o que mais chamou a atenção dos jornalistas. Durante a coletiva, o secretário de Segurança afirmou que mais de 1.100 detentos no Paraná pertencem a facções criminosas, entre elas, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Não é a primeira vez que uma autoridade da área de segurança paranaense reconhece a presença desses grupos perigosos nas carceragens do Estado. Em março de 2013, 38 presos foram transferidos das cadeias e penitenciárias paranaenses para presídios federais de segurança máxima. Em dezembro de 2013, um estudo do Ministério Público de São Paulo apontou que 656 integrantes do PCC cumpriam pena no Paraná. Dois anos depois, o levantamento feito pela Secretaria de Segurança do Paraná (Sesp) mostra que as influências desses grupos criminosos está aumentando de maneira preocupante.
Assim como em 2013, a próxima providência a ser tomada pela Sesp é a transferência desses 1.100 detentos para presídios de segurança máxima. Em breve, a pasta vai anunciar qual penitenciária paranaense será transformada em unidade para receber presos de alta periculosidade. Segundo Francischini, a intenção é isolar esse grupo, dificultando principalmente acesso pelo celular. Como os detentos "faccionados" demandam mais preocupação, eles serão vigiados por agentes treinados para conter rebeliões.
Isolar os detentos integrantes de organizações criminosas é importante, mas a cada dia isso parece mais difícil. A repressão é necessária, porém não se pode esquecer que o combate à criminalidade também envolve programas eficientes de recuperação de presos e projetos de prevenção no sentido de diminuir a desigualdade social e facilitar o acesso da população à moradia segura, ao emprego, à educação e ao lazer.





