Expurgo começando dentro dos partidos
Expurgo começando dentro dos partidos
O simples fato de um político ser formalmente denunciado por suspeita de corrupção deveria ser suficiente para afastá-lo temporariamente da função, até que se apure a acusação. Esse dispositivo deveria figurar na Constituição e, por extensão, na legislação eleitoral e no estatuto dos partidos políticos. A medida, se radical, não seria maior do que o radicalismo representado pela impunidade e pelo recurso da renúncia como ora ocorre para fugir de eventual cassação e ganhar o direito de candidatar-se na eleição seguinte. Mas, independente da presença dessa salvaguarda que ampara injustamente o renunciante, os partidos deveriam adiantar-se e, como remédio purificador do organismo partidário, rejeitar posteriormente esses candidatos oportunistas. Se injustiça possa ocorrer, deverá ser levada à conta do ônus a que têm de se sujeitar os que pleiteiam cargos eletivos, da mesma forma que um candidato a emprego em empresa privada venha a não ser aceito, por alguma razão, que pode ser a simples perda ante alguém mais qualificado. Um salutar exemplo se esboça no PMDB paranaense, ao acenar que pode negar a candidatura do (agora ex) deputado José Borba, que acaba de renunciar. A opinião do partido é que sua renúncia é uma confissão de culpa, e isso torna insustentável recolocá-lo na lista de disputantes. Não significa que os que não renunciam e preferem o julgamento obtenham com isso um certificado de honestidade, mas é ao menos uma atitude mais decente, se é que se pode atribuir decência a certos homens públicos, marcados por vergonhosas falcatruas. O exemplo da filha de 14 anos do deputado federal João Paulo Cunha calou fundo, no dizer do jornalista Cláudio Humberto: ela admoesteou o pai e lançou-lhe o repto de que, se ele jura inocência, por que estava pensando em reunciar? Este é com certeza o pensamento dos jovens, muitos chegando agora à aptidão para votar mas demonstrando postura de bom senso e maturidade, assim como ocorre com a imensa maioria dos cidadãos deste país. Se os partidos começarem por tirar do saco as batatas podres, darão início a um processo de expurgo em seu próprio organismo, que resultará no saneamento do sistema eleitoral e na melhor qualidade do produto que irão enviar para os parlamentos e para as funções executivas. Porque também os partidos pagam pelos desmandos dos seus, e deve ser de interesse da comunidade sã que os compõe alcançar uma boa imagem perante a opinião pública e conquistar prestígio e simpatia no seio do eleitorado.





