A ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo pedindo a retirada da expressão ‘‘Deus seja louvado’’ das novas cédulas de real trouxe novamente à tona a discussão sobre Estado laico e liberdade religiosa.

  Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão de São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, a inscrição fere os princípios de laicidade do Estado e da escolha religiosa da sociedade brasileira. Por isso, ele pleiteia a retirada dos dizeres das cédulas.

  Para o professor do departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Fábio Lanza, que integra o Laboratório de Estudos sobre as Religiões e Religiosidades da instituição, a discussão deve ir além. Segundo ele, mesmo com um desenvolvimento político nacional baseado no estado republicano, a realidade brasileira tem ainda relações fortes entre a organização estatal e as denominações religiosas.

  Qual a visão do sr. sobre a representação do Ministério Público Federal de São Paulo para a retirada da expresão ‘‘Deus seja louvado’’ das cédulas de real?

  É importante compreender o contexto em que nós estamos inseridos dentro desta discussão. Quando a gente pensa a realidade brasileira, temos que tomar um grande cuidado porque se trata de um tema polêmico tanto para os que promovem a discussão a partir da tese do estado laico, ateus ou não, como para os que se intitulam religiosos e fazem a defesa do discurso religioso - de denominações religiosas já sólidas ou ainda em constituição na sociedade brasileira. A representação do Ministério Público Federal de São Paulo coloca ‘‘a mão no vespeiro’’.

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