Exposição, bandeira de resistência e esperança
Tem-se escrito neste espaço que a tempestade que se abateu sobre a pecuária paranaense em 2005, com reflexos em 2006 - originada do invento governamental da febre aftosa, mais a crise da agricultura vivida pelas secas - não esmoreceram o ânimo do produtor rural e não impediram o avanço do agronegócio, tanto o de escala quanto o da denominada agricultura familiar. Isto não significa que as coisas sejam fáceis, mas porque a garra do homem do campo se manifesta, tanto nos anos de bonança como nos de contrariedades, e dá sua resposta.
A 47 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, que hoje se instala e se estenderá pelos próximos dez dias, é sempre uma bandeira de resistência e de esperança que se ergue e um brado de despertamento para esta nação, às vezes desanimada ante tantos revezes. Bem-vindos ao maior evento do agronegócio da América Latina - proclama mensagem da Sociedade Rural do Paraná (promotora do evento) publicada neste Jornal. A Exposição de Londrina é um evento único, pela sua extraordinária capacidade de integrar no mesmo espaço a agricultura, a pecuária, a agroindústria, o comércio e a prestação de serviços.
O anúncio chama a atenção para as mais de 40 raças de bovinos, equinos, suínos, caprinos, ovinos e muares, valorizando a genética e gerando bons negócios. Os eventos técnicos formam uma ampla e diversificada agenda, disseminando conhecimentos, e a denominada Via Rural difunde tecnologia e integra cientistas, pesquisadores, produtores e estudantes de agronomia, veterinária e outros segmentos afins. Os avanços da agroindústria mostradas no Parque, as praças de gastronomia, os espetáculos artísticos, a aproximação de pessoas de diferentes cidades e regiões, completam o mostruário e a realidade instalada da grande festa da agropecuária brasileira.
Literalmente, como se tem escrito, existem tempos de vacas magras também para a tradicional Exposição, mas em momentos de crise ampliam-se oportunidades para adaptações do mercado à realidade. É sempre oportuno lembrar aos governantes - os titulares de cargos executivos e os parlamentares - que o agronegócio é responsável por 38% dos empregos no Brasil e por 40% do volume das exportações. Se os negócios do campo vão bem, tudo o mais irá bem, mas as autoridades públicas deste país não têm muita consciência disto e certamente imaginam que as plantas alimentares brotam ao acaso e que a pecuária se desenvolve sozinha. A Exposição é também uma grande consumidora de serviços, porque movimenta uma vasta gama de atividades, além de proporcionar lazer para milhares de pessoas.





