Exposição: agronegócio lutando e resistindo
A tempestade que se abate sobre a pecuária paranaense, originada do invento governamental da febre aftosa em rebanhos do Estado, assim como a crise vivida pela agricultura em consequência das secas que diminuíram as colheitas, mais o custo de produção superando a renda, o endividamento dos produtores tudo isto acontecendo ao mesmo tempo não impediu a realização da 46 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, que começa hoje e irá até dia 16. Houve queda de alguns índices com relação a feiras anteriores, mas o Parque Ney Braga está montado e repleto em seus estandes, prevendo-se bons negócios, pois acredita-se em boas ofertas para os que desejam adquirir. Literalmente, existem tempos de vacas magras também para a tradicional Exposição, mas em tempo de crise ampliam-se alguma facilidades, pela adaptação do mercado à realidade. Fora do recinto da Exposição que é sempre um termômetro do pulsar do agronegócio e de todos os segmentos envolvidos impera um clima de angústia e expectativa. Declarações do presidente da Cooperativa C.Vale, Alfredo Lang, a este Jornal, afirmam que os produtores rurais ''estão em desespero, porque sem dinheiro e sem compradores''. As causas são a estiagem em momento crucial das plantações, que provocou grande queda de safras, o custo de produção superando a renda, a baixa do dólar, que prejudicou os exportadores de produtos do campo, o endividamento com os bancos e é oportuno lembrar que 41 mil agricultores do Paraná estão na esteira das execuções, por inadimplência. As dívidas são um garrote angustiante, pelo risco do sequestro de bens pelos credores, e imagine-se quem são eles senão os dois maiores bancos oficiais o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal portanto o Governo, que para facilitar execuções sumárias desses ''caloteiros'' produtores de alimentos e de riqueza transferiu a conta para a Receita Federal. Porque esta é mais voraz e experimentada em arrochos e em levar para o cadafalso qualquer que caia em sua malha. Mas é também a inviabilidade da produção face ao alto custo dos insumos, que não baixam, enquanto os preços dos produtos da lavoura despencam. O pior é que o agronegócio, se é vítima, começa a gerar outras, que são os empregados demitidos face à baixa dos negócios. Este é um momento em que será preciso fazer negociações que baixem salários mas sem dispensar trabalhadores. Porque, embora condenada pelo sindicalismo, esta é uma fórmula emergencial e sábia, adotada também em outros países em momentos de crise. As notícias alarmantes sobre a gripe aviária que não chegou ao Brasil diminuiu a exportação de carnes, com a consequente redução da produção e a sobra de alimentos para as aves, gerando-se uma reação de baixa em cadeia, em diversos segmentos. Lembre-se que o agronegócio é responsável por 38% dos empregos, no Brasil, e por 40% das exportações, significando que a crise no campo é questão de interesse de toda a cadeia produtiva nacional vinculada ou não à atividade rural. É nesse clima que se instala hoje em Londrina mais uma das grandes exposições agropecuárias e agroindustriais do Brasil. É o agronegócio lutando e resistindo.





