Exportar: desafio emergente - Ivan Cléber Martins e Oliveira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de janeiro de 1999
Ivan Cléber Martins e Oliveira 
Com os mercados globalizados que fizeram com que o nível de competição entre produtos aumentasse, ocasionando a corrida em busca de tecnologia, qualidade, otimização de custos e preparação de mão-de-obra especializada para gerenciar empresas e fabricar produtos compatíveis com um mercado internacional, o mercado interno ficou pequeno para sustentar o crescimento das empresas brasileiras.
O desafio de competir no mercado interno com produtos importados demanda investimentos similares ao desafio de exportar, de preparar produtos com capacidade de competir no mercado globalizado. Exportar não pode mais ser encarado como algo difícil, inacessível ou que exija graus de mudanças considerados impossíveis.
A empresa que quer se manter no mercado, crescer e se posicionar como geradora de produtos de interesse de consumo do público comprador tem que mudar internamente e essa não é uma condição só para quem vai exportar. É uma condição para ficar no mercado. Vender no país ou no exterior não vai mais ter diferenças significativas a ponto da empresa acreditar que não precisa investir em tecnologia, em qualidade em processos mais elaborados de preparação do seu produto só porque decidiu comercializar apenas no mercado nacional.
Com as recentes mudanças na política cambial brasileira, exportar ficou ainda mais atraente. Competir exige desafios mas serão esses desafios que, se encarados de frente, vão fazer a diferença entre a empresa que vai estar no mercado e aquela que vai minguar até sair fora da competição. O setor moveleiro está sendo visto pelo governo federal como extremamente interessante para o aumento das divisas brasileiras. O país precisa exportar. A estabilização e valorização da moeda nacional acabaram restringindo as exportações. O mercado norte-americano, por exemplo, é um mercado muito significativo e potencial em relação ao consumo de móveis.
Com o lançamento do Promóvel -Programa Brasileiro de Incremento à Exportação de Móveis - que tem como um dos objetivos aumentar as exportações de móveis brasileiros para o mercado norte-americano, a chance da indústria nacional do setor alcançar o mercado internacional é nítida e clara. Através do Promóvel as empresas poderão se preparar para competir a custos ínfimos. É uma oportunidade ímpar que está passando e que se encerra no dia 30 de janeiro.
Lançado em nível nacional no mês de novembro do ano passado, em Brasília, pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e Agência de Promoção e Exportações (Apex), o programa tem o objetivo de elevar as exportações do setor, este ano na casa dos US$ 500 milhões, para 2,5 bilhões em 2002. Quem entrar no Promóvel estará criando a diferença. Vai assumir compromissos de exportar mas vai ser beneficiada de informações e treinamentos que vão prepará-las para serem potenciais e competitivas com o mercado globalizado. O custo é de apenas R$ 100,00 por mês durante 36 meses.
O Sima - Sindicato da Indústria de Móveis de Arapongas, como entidade representativa do Pólo Moveleiro do Norte do Paraná, apoia o Programa e está se empenhando para que a sua base participe e perceba a importância de estar engajada nessa oportunidade que pode representar a diferença entre estar ou não no mercado daqui a poucos anos.
O Promóvel é um programa democrático, que não está favorecendo ninguém. Todas as empresas do setor podem participar desde que estejam ligadas às entidades representativas da sua região. O SIMA, que congrega as empresas do norte do Paraná, representa o segundo pólo moveleiro do país em faturamento. Mesmo assim, muitas indústrias moveleiras da região ainda não estão associadas à entidade. Perdem informações, conquistas, participação no mercado e presença no mercado nacional e internacional.
Não se pode mais esperar o tempo passar com soluções caseiras. Chegou a hora de olhar além das fronteiras da indústria e perceber que o mercado é feito de números, de línguas, de países e de oportunidades. Só não enxerga quem não está mesmo preparado para estar no mercado que se desenha daqui para frente.
- IVAN CLÉBER MARTINS E OLIVEIRA é diretor de Comércio Exterior do Sindicato de Indústria de Móveis de Arapongas, Sima.


