Exportação ganhará mais peso no faturamento das empresas em 2003
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domingo, 10 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio - Grandes empresas entrarão 2003 com projetos consistentes para aumentar o peso das exportações no seu faturamento total. Este grupo, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), vai gerar uma nova onda de crescimento das vendas externas brasileiras nos próximos anos. São companhias que projetam até duplicar o peso das vendas no exterior no faturamento.
''O crescimento das exportações no ano que vem provavelmente vai se dar nas empresas que não fazem parte do grupo que já exporta a maior parte do que produz'', avaliou o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros, com base nos resultados de uma pesquisa feita com mais de 60 empresas que exportam em média 80% do total, em outubro deste ano.
Estas companhias, as ''francamente exportadoras'', tendem a sustentar o espaço já conquistado no exterior, mas parecem estar chegando a um limite no esforço exportador. Do total, 34% prevêem aumento de demanda, 33% queda e o restante, estabilidade.
O uso da capacidade instalada permanece elevado no terceiro trimestre, 86,2%, mas pouco abaixo da taxa no trimestre anterior, de 88,2%.
Quadros considera que o impacto favorável do câmbio e o aumento das exportações ocorrem em camadas, com a reação das empresas que já são especialistas em comércio exterior, o avanço da atuação das firmas que já vendem algo para fora e, depois, com a entrada das exportadoras novatas. ''A onda agora é de quem estava com um pé no mercado'', conclui o economista.
O caso de uma montadora de veículos é significativo. As exportações, que respondiam por cerca de 20% do movimento em 2001, chegarão a 40% em 2004. A montadora está negociando com a subsidiária do grupo na China e o governo do País, sócio em duas plantas industriais, o envio de veículos no formato CKD vai em partes para ser montado em outro país.
''Já tínhamos um projeto de expansão das vendas externas, antes desta desvalorização mais alta recente'', explica o gerente de exportações da montadora, Leonardo Soloaga. Como o projeto, a empresa consegue balancear melhor o saldo entre suas importações e exportações, além de compensar a retração do mercado doméstico. O outro mercado-alvo é o europeu.
Para aumentar suas vendas externas, a divisão de caminhões e ônibus da empresa abre este mês um escritório em Dubai, nos Emirados Árabes. Os focos da divisão são a China e o Oriente Médio, conta o diretor-superintendente para América do Sul da divisão, Roberto Cortes. ''A região do Oriente Médio funciona como um bazar para as ex-repúblicas soviéticas que ficam próximas''.
Um dos maiores fabricantes de tubo de aço brasileiros captou no mercado externo 5% das vendas do ano passado, porcentual que deverá chegar a 50% em 2004. Este ano o peso relativo deverá ficar em torno de 25%. Para tanto, uma rede de comercialização internacional foi fechada em países como Rússia, Nigéria, Irã, China e Malásia, dentre outros. As exportações estão dentre as prioridades do grupo, segundo o presidente Aldo Narcisi Junior.
Para outra empresa, falta pouco para que a fatia de negócios vendidos par outros países avance dos 24% de participação este ano para 40%. A subsidiária brasileira já fechou contratos para o fornecimento de carros completos para o metrô do Chile, de US$ 150 milhões, e de ''caixas'' para o de Nova York, de US$ 120 milhões. Em 2003, os produtos começam a ser embarcados, conta a superintendente de projetos de exportação, Christiane Aché.
No caso do contrato com o Chile, além dos concorrentes, a operação brasileira venceu uma disputa interna. ''A exportação passou a ser a nossa atividade principal na parte de transporte'', conta Aché. A mesma estratégia começará a ser disseminada na área de transmissão e distribuição de energia, que esta semana recebe clientes externos potenciais no Brasil.
Apesar do diagnóstico de que as grandes exportadoras estão perto de um limite, algumas delas pretendem avançar ainda mais, com investimentos pesados na prancheta. Uma delas programou um investimento anual em torno de US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, a maior parte dedicados a projetos que resultarão em aumento das vendas externas.
O gerente de relações com os investidores, Roberto Castelo Branco, conta que as exportações poderão, este ano, superar as do ano passado e avançar no ano que vem. Além da expectativa de que a demanda de minério continuará aquecida, alguns investimentos chegarão à ''plena carga'' justamente em 2003.


