A Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, festa mais tradicional e esperada da cidade, talvez tenha que se reinventar em 2019, quando completará 60 anos. O balanço apresentado nesta terça-feira (30) pela diretoria da Sociedade Rural do Paraná apresentou retração no número de público e na movimentação de negócios em relação à edição anterior. A queda nos principais números da ExpoLondrina é bastante incomum. Há muitas edições, apesar das intempéries climáticas ou do sobe e desce da economia, eles sempre foram positivos. Segundo o balanço, a 59ª ExpoLondrina, promovida entre os dias 5 e 14 de abril, terminou com uma movimentação econômica de R$ 615,6 milhões, um valor 10% menor em relação ao registrado na edição anterior. O público, de 464.103 visitantes, também reduziu em relação a 2018, quando passaram pela feira 557.372 pessoas.

Os organizadores da feira já tinham uma postura mais conservadora em relação à expectativa dos resultados. Disseram que esperavam pela retração considerando que o evento teve um dia a menos do que os anos anteriores. Foram dez dias em 2019. Em entrevista coletiva, o presidente da entidade, Antônio Sampaio, ressaltou que, apesar da ausência de parceiros fortes de edições anteriores, como Caixa Econômica Federal e Itaipu Binacional, houve um crescimento de 5,5% na comercialização de áreas. O setor de veículos demonstrou boa comercialização, com mais de 1,2 mil negócios fechados. No setor pecuário, a liquidez nos negócios passou de 90%. Cerca de 6,9 mil animais passaram pela feira.

A quebra na safra e o cenário econômico também foram agentes impactantes. O primeiro influenciou diretamente nos negócios e o segundo atingiu a bilheteria. É inegável que a ExpoLondrina acaba sendo um termômetro da realidade financeira do empresário e do cidadão comum, aquele que vai com a família ao parque apenas para se divertir. Seria um modelo já esgotado? Ou apenas o retrato de um momento?

Por outro lado, os eventos técnicos surpreenderam positivamente, alcançando 10% no crescimento do público que foi ao Parque Ney Braga em busca de palestras, cursos e workshops. E ainda mais forte foi a repercussão política da feira, demonstrada quando o governador Ratinho Junior e seus secretários, a Assembleia Legislativa do Paraná e o próprio prefeito Marcelo Belinati trouxeram seus gabinetes para a ExpoLondrina. Se os negócios ficaram aquém do desejado, no quesito influência política, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina mostrou a força do Norte do Paraná.

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