Bogotá - Cinco pessoas ficaram feridas ontem, duas delas com gravidade, após a explosão de um carro-bomba numa das entradas da Corabastos, a principal central de abastecimento de Bogotá, na região sudoeste da cidade. O atentado, de autoria desconhecida até o fim da tarde de ontem, aconteceu apenas dois dias após a eleição de Alvaro Uribe à Presidência, no primeiro turno, e provocou pânico na capital.
Uribe foi eleito pregando ‘‘mão firme’’ contra os grupos armados ilegais para acabar com a guerra civil no país, que dura quatro décadas e vem deixando cerca de 3.500 mortos ao ano. A explosão de ontem aumenta o temor sobre uma possível migração do conflito, até agora praticamente restrito às áreas rurais do país, para as grande cidades.
Na semana passada, um confronto entre o Exército e guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) num bairro periférico de Medellín deixou nove mortos e dezenas de feridos.
Os colombianos temem um retorno à situação vivida no fim dos anos 80, quando o país foi atemorizado por uma onda de ataques terroristas nas grandes cidades. Os críticos de Uribe consideram que sua proposta de formar um grupo de 1 milhão de civis para auxiliar a força pública no combate aos grupos armados pode transformá-los em alvos desses grupos, acelerando a chegada da temida ‘‘guerra urbana’’.
Para Fredy Escobar, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Antioquia, a criação de cooperativas privadas de segurança por Uribe, quando governador de Antioquia (cuja capital é Medellín), entre 1995 e 1998, fomentou a proliferação dos grupos paramilitares na região e provocou a expulsão das guerrilhas das áreas rurais em direção às cidades.

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