A voz isolada de Marina Silva - que agora pede demissão de ministra do Meio Ambiente - não iria salvar a Amazônia da depredação e nem contribuiu para uma exploração inteligente da floresta. Mais que seu idealismo - que a converteu numa figura universal, a ponto de ser apontada para receber o Prêmio Nobel - será necessário um profundo estudo e um projeto para a Amazônia, que para defendê-la precisará contar com a presença forte e ostensiva das Forças Armadas, com seus 320 mil homens pouco utilizados, e para explorá-la exigirá o concurso das mais proeminentes inteligências nacionais, em vários campos.
Porque está ali uma formidável riqueza em diversidade genética, cuja flora e fauna não têm similares no mundo, e tudo isso foi apenas empiricamente estudado. Saem dali 25% de todas as essências farmacêuticas, e apenas 30% dos seres que habitam a mata, e as plantas, são conhecidos da ciência. E entre seres ainda não inteiramente conhecidos estão 140 mil índios. Proteger a floresta amazônica é saber aproveitar o que ela tem, em benefício dos brasileiros e do mundo. Este é o indicativo mais sensato. Mas a acreana Marina, nascida sob as sombras da mata e, indiscutivelmente, a maior autoridade mundial em questões amazônicas, não tinha muita autoridade junto ao presidente Lula, que pouco sabia e pouco sabe acerca dessa portentosa floresta tropical. Marina não era uma sargentona do tipo Dilma Roussef, que Lula escuta e exalta. A saída de Marina Silva do Ministério causará um desgaste na imagem do Governo Lula junto aos ambientalistas do mundo, que hoje formam um poder. Mas a ex-ministra - um estandarte da defesa amazônica - não conseguiria, como não conseguiu, deter o avanço da devastação nem contribuiu substancialmente para um sábio projeto exploratório dessa extraordinária riqueza brasileira.
Enquanto nem uma coisa e nem outra acontecem, o desmatamento e as queimadas continuam, sem indício de que alguém neste governo coloque um freio. O homem desmata sem saber das coisas que está arrastando com seu trator e com o extrativismo indiscriminado da madeira, porque - como já se disse - a própria ciência só conhece uma pequena parte do que existe no ventre da Amazônia. O paulista Enéas Salati, autor de um trabalho de aceitação mundial sobre o ciclo das águas no âmbito daquela região, foi quem disse que o melhor destino que se deve dar à floresta amazônica é ela continuar sendo floresta. Sem prejuízo de aproveitar-se racionalmente e de forma rentável as suas reservas. Não com desmate e plantações, até porque o solo é pobre em nutrientes, mesmo para sustentar pastagem. É ainda ele quem diz que toda a exploração amazônica deve prever que a floresta fique em pé. Portanto, explorada de forma susbtentável, sem desmatar.

mockup