Investimentos não foram feitos. Consumo cresceu. Oferta de energia despencou. Tarifas aumentaram. Qualidade caiu.
A crise anunciada bate às portas das residências dos brasileiros. O racionamento de energia e a possibilidade dos apagões vêm para comprovar o fracasso do modelo de privatização que o governo neoliberal de FHC e Lerner tentam estabelecer no Brasil e no Paraná. A irresponsabilidade e a falta de planejamento do governo federal e do estadual contabilizam um resultado que agride o bem-estar e a segurança da população.
Os investimentos não foram feitos. O consumo cresceu. A oferta de energia despencou. As tarifas aumentaram. A qualidade do serviço caiu. Trabalhadores ficaram desempregados. E, ainda assim, o governo tenta convencer que vender a Copel é um grande negócio para os paranaenses. Perdemos serviços essenciais à vida que, hoje, estão nas mãos de grupos privados cujo interesse exclusivo é o aumento de seus lucros. O sentimento é de estarmos caminhando em direção contrária à história, ao desenvolvimento, ao crescimento econômico e à qualidade de vida. O governo tenta explicar o que não tem explicação.
Vender a Copel é um desrespeito à inteligência dos paranaenses. Ela é uma das melhores estatais do Brasil no setor energético. Dá lucro e atende às necessidades sociais do Estado. Gera empregos e leva luz ao campo e à cidade. A Copel é dona de um grande patrimônio, cujo valor vai muito além do esforço que o governo empreende para desvalorizá-la. É competente. É competitiva. Tem credibilidade. Graças à Copel o Paraná não entrou no mapa do racionamento de energia que o governo federal impôs ao Distrito Federal e a Estados do Sudoeste, do Centro-Oeste e do Nordeste.
Na pior das hipóteses, e na ausência total de alternativa, se a solução fosse vender a Copel, então este seria o pior momento. O País vive o déficit energético e quem tiver produção para consumo interno e excedente para vender para outros Estados vai lucrar e crescer. Este é o caso da Copel. Para que entregar, em mãos estranhas, o lucro que pode ser do Paraná?
Defender a permanência da Copel nas mãos do Paraná é defender, também, nossos rios, nossas águas, nossa tecnologia, nossa ciência. É garantir nossa soberania. A energia é a matriz do desenvolvimento. Quem controlar a sua geração, distribuição e transmissão, vai controlar o nosso destino e o nosso futuro.
Pior ainda é que, apesar de todas as evidências contrárias e da gravidade da situação, o governo Lerner tenta esconder a verdade e insiste em defender o modelo de privatização que está empurrando o Brasil para um túnel sem luz. A energia é semente de vida. E o governo quer jogá-la no centro da arena, à mercê dos leões que ditam as regras do mercado privado. E sabemos que a frieza do interesse de lucros aponta sempre para o enxugamento da empresa, com demissão de funcionários e aumento de tarifas.
É necessário estudar alternativas e novas tecnologias. Uma ampla discussão deve ser aberta à sociedade. Os brasileiros têm o direito de participar de um debate que leve a um modelo ideal de produção de energia e uma política séria e bem definida. Esse assunto é de interesse de todos nós que trabalhamos pela geração de emprego, pela industrialização, pela agricultura, pelo direito à vida e tudo de bom que dela pudermos extrair.
E o governo que tente explicar o que não tem explicação.
- WALDYR PUGLIESI é deputado estadual do PMDB e líder da bancada das oposições na Assembléia Legislativa

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