Curitiba - Oséas Leivas Silva, 32 anos, já tem futuro definido quando sair da Penitenciária Provisória de Curitiba: vai viver de sua produção como pintor. Com pena de 32 anos e há 11 na prisão, os quadros de Ozéias já alcançaram fama internacional, administrados por uma marchand, que trata das exposições e comercialização de seus quadros.
''Eu sou auto-didata, compro livros de arte, ganho outros'', diz Ozéias, que começou quando ainda era criança, copiando obras de seus pintores preferidos. No presídio desde os 20 anos, concluiu o 1º grau e parou na metade do 2º, mas garante que vai terminar o estudo para fazer, depois, um curso superior na área de artes plásticas. A partir deste mês Ozéias começa uma nova esperiência, como instrutor da oficina de artes, que vai atender no máximo 20 alunos. ''Será uma experiência com alguns presos de comportamento mais difícil'', explica a professora Sonia Virmond. No ateliê, Ozéias é beneficiado pela remissão de pena de um dia para cada três trabalhados.
Os professores citam ainda o caso de um ex-detento que fez o curso de prótese dentária e hoje, em liberdade há quatro anos, trabalha na área. Com 35 anos, trabalhando na área de vendas à tarde e à noite no laboratório de prótese, que montou em sua casa, ele prefere não se identificar para não ser prejudicado. ''Só com prótese eu ganho entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês'', diz ele, que pretende em breve deixar as vendas e dedicar-se só às próteses.
Nos presídios, a audioria do TCU também elogia o projeto ''Pintando a Liberdade'', criado pelo psicólogo Roberto Canto, que trabalha no Depen do Paraná. O projeto consiste na confecção de material esportivo, como bolas, uniformes, entre outrros itens, com financiamento do Ministério do Esporte e Turismo. Todo material é doado a entidades filantrópicas. Em 2002 a produção no Paraná chegou a mais de 200 mil itens, que atenderam 1 milhão de crianças.(M.G.)

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