Experiência em Cambé mostra que crianças tem aproveitamento melhor do que nas escolas convencionais
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sábado, 12 de abril de 2003
Phoenix Finardi 
A escola é simples mas muito limpa e arrumada. Tem biblioteca, cozinha com refeitório (onde o cheiro é sempre gostoso), salas amplas e arejadas. As crianças, além das aulas, fazem oficinas de teatro, bordado, dança, jogos, produção intelectual e recreação. Para isso elas ficam quase nove horas na escola - entram às 7h30 e só saem às 16h15. Têm almoço e lanche garantidos, além de reforço escolar e tempo para brincar. A descrição, que parece a de uma escola de primeiro mundo, é da Escola Municipal Pedro Tkotz, em Cambé.
Fundada em 1991, a escola foi o piloto de um projeto elaborado na década de 80 por professores da rede municipal de ensino. A idéia era testar o projeto para então estendê-lo às outras escolas da rede. São 465 alunos de pré à quarta séries. Além do ensino normal, a escola oferece oficinas de produção intelectual, reforço escolar, teatro, dança, bordados, jogos, crochê, tricô, sucata e brincadeiras de roda.
Os alunos escolhem as oficinas que querem frequentar e a coordenação da escola monta um horário individual para cada criança. A média de participação de cada aluno é de 12 oficinas por semana. No fim do ano uma exposição comercializa todos os produtos feitos pelas crianças (toalhas bordadas, tapetes, caixas decoradas, jogos de cama, etc). O dinheiro arrecadado é reinvestido na compra de materiais. ''Nós conseguimos manter as oficinas só com o dinheiro da exposição. Os próprios pais e a comunidade compram tudo que a gente produz'', explica Evanilde Bernardi, diretora da escola.
As oficinas preferidas pelas crianças são teatro e dança mas a biblioteca também é bastante procurada. Numa coisa, porém, estão todos de acordo - o período integral funciona bem. ''O aproveitamente pedagógico é muito melhor, as oficinas ajudam o desenvolvimento das crianças. Nós sentimos a diferença quando recebemos alunos de fora'', conta Evanilde. O índice de repetência é um dos menores do município e o de desistência é zero.
Os pais também só têm elogios: ''Dos meus 3 filhos, os dois últimos, que fizeram período integral, foram sempre bons alunos. O menor ainda está na escola e adora as oficinas. Se não fosse o período integral ele teria que ficar sozinho em casa porque eu e meu marido trabalhamos fora. Acho que deveria ter mais escolas assim'' - diz Geralda Rocha, mãe de William, de 10 anos, que está na 4 série. A cabeleireira Vilma Chofard, mãe de Amanda, 9 anos, 4 série, concorda: ''A gente pode trabalhar tranquila sabendo que a criança está bem cuidada, alimentada e segura na escola'', diz.
Tanto sucesso causa só um problema: falta de vagas. Todos os anos as mães fazem longas filas de espera, com pouco resultado. ''Nunca tenho vaga porque não há desistência e as vagas de pré são bem disputadas'', lamenta a diretora.
Apesar do sucesso do período integral, nestes 12 anos nenhuma nova escola com este sistema foi implantada na cidade. A continuidade do projeto esbarrou no motivo de sempre: falta de dinheiro. ''Essas escolas custam caro. Precisam de mais espaço físico para as oficinas, o número de funcionários é maior e ainda tem o custo do almoço'', justifica o Secretário Municipal de Educação de Cambé, José Garcia Gonzales Neto. No entanto, ele reconhece os benefícios do sistema e diz que a Secretaria tem planos de retomar o projeto. ''Estamos construindo duas novas unidades e a partir do ano que vem vamos implantar o período integral em mais uma escola da cidade'', promete.
Se depender dos vereadores de Cambé, a Secretaria de Educação vai ter que andar mais depressa. Eles acabam de aprovar um projeto de lei na Câmara que dá um prazo de 3 anos para a prefeitura implantar o período integral em todas as 12 escolas municipais. ''Isso é uma necessidade e uma reivindicação da população e acredito que até janeiro de 2005 seja um prazo suficiente para a prefeitura contratar gente e ampliar as escolas'', aponta o autor do projeto, vereador Erasmo Machado.


