Não é o efeito Lula que piora a classificação do risco Brasil, mas o efeito FHC, melhor dizendo o efeito Malan. Naturalmente que em período de campanha eleitoral há interesse do governo em amedrontar a população com a idéia de que uma eventual administração petista colocará em perigo a estabilidade da República. Advertências de instituições financeiras internacionais sobre os riscos que o Brasil oferece para os investidores podem estribar-se em outras tantas razões, que a nação inteira conhece, e não nas barbas do candidato do PT.
Não é descartável a possibilidade de que o próprio sistema estimule organismos financeiros externos a disseminar a corrente de que é Lula o fator de risco. É, sim, a realidade Brasil que mantém de sobreaviso os investidores, pela elevada dívida externa, que já chega ao patamar dos 400 milhões de dólares; pela volumosa dívida interna, pela situação de queda na atividade produtiva, pela insegurança social, pelo estado de pobreza de quase um terço da população, pela consequente violência nas cidades, e, pior, sem um indicativo de que, neste governo, algo possa melhorar, eis que não existe projeto algum nesse sentido.
O desestímulo do empresariado brasileiro diante da política de juros altos e a ausência de um programa de desenvolvimento é que oferecem o grande risco Brasil, e acentuadamente um risco para os brasileiros. Lula, se presidente, naturalmente buscará reverter o curso da política econômica vigorante, mas não terá condições constitucionais – mesmo que o queira, e não é este o caso – de dar um calote nas dívidas, interna e externa. Esta será um aventura em que um eventual governo petista não embarcará, até pelos sinais já manifestados.
O risco Brasil, que tem se acentuado nas últimas três semanas, se deve à retração do crescimento, à queda do ritmo da produção e das vendas externas, à manutenção em alta da taxa do juro básico e à instabilidade da população, no geral. Impera um mal-estar popular, mas sabem a classe empresarial – outrora, sim, temerosa de um efeito Lula – e os cidadãos, que os temores dentro do País não são pela constante subida do candidato petista nas pequisas eleitorais e sim pela desastrada política de FHC e sua equipe econômica. O que há – e os observadores estrangeiros devem saber – é que a nação brasileira está, isto sim, em compasso de expectativa para ver o fim dos dias deste governo.

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