Expectativa de vida e aposentadoria
Ao mesmo tempo em que os brasileiros ganharam em qualidade de vida e passaram a viver mais fator que deveria ser comemorado por todos uma outra notícia irá impactar negativamente no cotidiano da população. O aumento do tempo médio de vida deverá provocar uma redução de cerca de 1,67% no benefício do trabalhador que, desde ontem, entrou com pedido de aposentadoria por tempo de contribuição.
A redução ocorre devido ao fator previdenciário, método utilizado pela Previdência Social para tentar adiar a aposentadoria dos trabalhadores mais jovens. O cálculo considera a idade ao se aposentar, o tempo de contribuição para a Previdência Social e a expectativa de sobrevida, ou seja, quanto tempo o trabalhador deve viver com base na idade que tem agora. A nova tabela do fator previdenciário vale até 30 de novembro de 2014.
De acordo com os dados da tábua de mortalidade projetada para o ano de 2012, que foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida ao nascer passou de 74,1 anos em 2011 para 74,6 anos, com acréscimo de 5 meses e 12 dias.
É inconcebível que esse critério do aumento da expectativa de vida dos brasileiros seja utilizado contra os trabalhadores. Se uma pessoa contribuiu com o sistema durante toda a sua vida profissional, não pode ser penalizada ao receber o benefício do qual passará a ser dependente. Importante lembrar que geralmente os idosos têm seus custos aumentados, principalmente com saúde e bem-estar. Garantir a aposentadoria a essas pessoas, mas tirar ainda mais parte de seus vencimentos só pode ser encarado como um ato de má-fé.
Outro fator relevante é que a Previdência Social já arca com todos os custos dos programas sociais de distribuição de renda que, aliás, vêm aumentando frequentemente. Não estaria no momento de pensar mais nos trabalhadores e lhes garantir ao menos um final de vida com mais dignidade?





