Se há desenvolvimento há inclusão social por natural consequência, a menos que o Governo Lula continue com a política de apenas atender aos pobres, por via do assistencialismo. Que é necessário face ao enorme volume de miséria social, mas que deve caminhar paralelo com uma política de crescimento econômico que gere empregos e por extensão mais recolhimento de tributos, dessa forma gerando riqueza por fórmula mais duradoura. Às vésperas do lançamento, hoje - por ora apenas para governadores e para o Conselho Político - do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC - economistas afirmam que não é possível realizar ao mesmo tempo esse projeto de crescimento e os programas sociais. Esta é uma visão distorcida da realidade, porque ao implementar-se um, contempla-se também o outro.
Anuncia-se que o PAC vai cortar tributos sobre novas fábricas e projetos pesados de infra-estrutura, como rodovias e usinas de eletricidade, mas empresários desses setores opinam que apenas isto não é suficiente. Desejam regras mais claras e mais seguras, para assim estimular investimentos. O PAC tem uma marca de estatização, porque propõe aumentar a participação do Estado nos investimentos. Se isso não tem acontecido com a intensidade do ideário petista, é oportuno lembrar que também as apregoadas parcerias público-privadas não deslancharam e nem o empreendedor particular tem recebido grande incentivo.
Revela-se que o Governo pretende lançar mão de R$ 5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para aplicar em obras de infra-estrutura previstas no PAC. Isto é uma forma de apropriação indevida - porque este dinheiro é dos trabalhadores, portanto particular e não pode ser aplicado em projetos de risco - e demostra que o Governo não tem dinheiro disponível, apesar da monumental soma que arrecada em impostos. E a razão disto é que admininistra mal o dinheiro e gasta abusadamente, afora o compromisso de arcar com o pesado serviço das dívidas interna e externa e, no geral, com o pesado custo que impôs à máquina pública. Fica exposto o sintoma de que há sério problema financeiro e administrativo no Governo no momento em que lança o PAC.
A função governamental é implantar as obras de infra-estrutura que são de sua atribuição, mas também propiciar meios de a empresa privada crescer. Dentre eles, diminuir o número de impostos e suas alíquotas, dar garantia de estabilidade duradoura ao empreendedor, destravar a burocracia e governar em conjunto com a cadeia produtora e com a sociedade. O estímulo ao setor da construção civil, pela desoneração de 41 itens (faltando alguns mais, como o cimento) é consonante com a boa política de desenvolvimento. Com a ajuda pública, por fórmulas assim, o mais a iniciativa privada faz.

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