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Questiona-se se
deva ser temporal
ou despertadora
da espiritualidade
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Faz-se silêncio em Roma e, a partir de hoje, os olhares do mundo estão voltados para a chaminé vaticana que, no lugar da fumaça negra, a qualquer momento expelirá fumaça branca anunciando que o novo Papa foi eleito. As câmaras de televisão de todo o planeta, mesmo de países não-católicos, estão fixadas nesse ponto, que será o primeiro a revelar a grande decisão dos 115 cardeais de 52 países reunidos na Capela Sistina. Interessa a todos os governantes e cidadãos da Terra o nome de quem irá ocupar o trono papal, e não porque o Pontífice será também chefe do Estado Vaticano, mas pelo poder que emana desse lugar do mundo e pela influência que o Papa pode exercer como mediador de delicados conflitos e de outras relevantes questões de interesse mundial. Eleger um conservador ou um liberal, eis a questão. Nomes despontam, e se a comunidade católica, destacadamente a juventude da Igreja, deseja um Papa progressista, não se pode garantir que esta seja também a posição do colegiado que forma o Conclave. Os cardeais, pela idade, tenderiam para o conservadorismo ou para a continuidade da política de João Paulo II que era um misto de conservador e de liberal mas não propriamente para um progressista do tipo que venha a aceitar mulheres no sacerdócio e a aproximação dogmática da Igreja Católica com outras religiões. O compartilhamento com outras igrejas visaria somente enfocar mais intensamente os problemas temporais e promover ações conjuntas na cruzada em favor dos pobres e demais excluídos algo que a maioria delas, individualmente, já faz e não as questões de dogma e fé, por ora pedra bruta que demandaria séculos para ser polida. Certo é que, pelo que se conhece dos cardeais eleitores todos eles candidatos potenciais a ocupar o trono a tendência será de a Igreja Católica fincar ainda mais seus pés na terra e olhar para os problemas terrenos como fez João Paulo sem preocupações prioritárias com as questões espirituais, ao menos neste momento crucial da humanidade. Uma postura que, se até aqui (e marcadamente no pontificado do papa recém-falecido) contribuiu para a causa do alerta acerca das injustiças sociais e do arbítrio de regimes, deixou que fiéis católicos pouco convictos fossem abandonando a Igreja, não significando com isso que se bandearam para outras crenças, mas possivelmente que tenham sido levados ao desencanto e agora aguardam por palavras novas que lhes reacendam a fé e os reconduzam ao rebanho. No círculo dos fiéis questiona-se que rumo deverá tomar a sua Igreja, quanto a estas duas polaridades fundamentais, uma a de socorrer os caídos que estão próximos, e assim exercer função humanitária, e outra a de voltar-se para um maior despertamento dos devotos à espiritualidade, condição que, se levada à plenitude, solucionaria por natural indução também os problemas temporais.

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